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Dissidente chinês apela a Obama que o ajude a sair do país

Dissidente chinês apela a Obama que o ajude a sair do país

O dissidente chinês cego que fugiu de casa e se colocou sob a proteção de diplomatas norte-americanos pediu ao Presidente dos EUA que o ajude a sair da China, em declarações à cadeia televisiva CNN.

Chen Guangcheng pediu a Barack Obama que "fizesse tudo" para o ajudar a sair da China, por recear pela sua vida.

Por outro lado, o dissidente acusou o pessoal da embaixada norte-americana em Pequim, onde esteve refugiado durante seis dias, de o ter incitado a abandonar as instalações e depois de o ter abandonado.

Estas declarações podem ter comprometido um acordo negociado entre a China e os EUA para Chen Guangcheng poder ficar livre no seu país, noticia a AP.

Ao fim de seis dias na embaixada dos Estados Unidos, enquanto representantes chineses e norte-americanos disputavam o seu destino, este dissidente saiu das instalações diplomáticas dos EUA em Pequim para ir para um hospital receber tratamento a uma ferida na perna resultante de um ferimento feito durante a fuga.

Em declarações à AP, Chen disse que quer sair da China e pediu ajuda para isso: "Ajudem-me, a mim e à minha família, a sair em segurança".

Representantes dos EUA tinham revelado que obtiveram do governo chinês a promessa de que Chen se poderia reunir com a família e começar uma vida nova numa cidade universitária na China, protegido das autoridades locais que, de forma abusiva, o mantiveram preso e em detenção domiciliária durante sete anos.

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Este anúncio fora feito a tempo de desanuviar o ambiente político antes das reuniões, que começam na quinta-feira, entre a secretária de Estado, Hillary Rodham Clinton, e o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, com os seus homólogos chineses.

Mas as circunstâncias não esclarecidas da sua saída da embaixada e o seu súbito apelo para sair da China, depois de declarar que queria ficar, ameaçam ensombrar outra vez as negociações que se deveriam focar na crise económica global e em dossiers delicados, como Coreia do Norte, Síria, Sudão e Irão.

Chen, de 40 anos, tornou-se uma figura de referência e fonte de inspiração na luta pelos direitos humanos depois de ter denunciado a prática de abortos forçados, no âmbito da política oficial de um filho por casal.

Esteve quatro anos na prisão, devido a acusações que os seus apoiantes dizem ter sido forçadas, e depois mantido em prisão domiciliária, com as suas mulher, filha e mãe, com os adultos alegadamente a serem tratados grosseiramente e a filha assediada e apalpada.

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