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Dissidente chinês cego revelou abusos a que foi sujeito

Dissidente chinês cego revelou abusos a que foi sujeito

O dissidente chinês Chen Guangcheng, que está a provocar polémica diplomática entre a China e os Estados Unidos, relatou ao governo central chinês as violações dos direitos humanos que sofreu às mãos das autoridades locais, disseram responsáveis americanos.

Chen, que recebeu permissão da China para viajar para os Estados Unidos, contou às autoridades de Pequim, no hospital, a forma como, alegadamente, as autoridades da província de Shandong (costa leste da China) o maltrataram, a ele e à família.

"Chen teve a oportunidade de fornecer alegações detalhadas ao representantes do governo chinês, que o vieram entrevistar no quarto do hospital", disse um responsável oficial norte-americano, que exigiu o anonimato, à agência noticiosa francesa AFP.

O dissidente, cego desde a infância, contou aos enviados do governo central chinês "alegações de maus-tratos e de atividades extra-legais" desde que abandonou a prisão, em 2010, para ficar em prisão domiciliária, acrescentou o mesmo responsável.

Chen, que lutava contra -- e divulgava -- abortos e esterilizações forçados ao abrigo da lei chinesa de controlo de natalidade, que só permite um filho, fugiu na passada semana para a embaixada dos Estados Unidos em Pequim, afirmando que as autoridades de Shandong o espancaram, e à mulher.

Chen esteve seis dias na representação diplomática dos Estados Unidos na China até que trocou a embaixada pelo hospital na quarta-feira, quando responsáveis norte-americanos disseram que existia um acordo com a China para que Chen passasse a viver noutra província.

No entanto, o ativista disse depois que as autoridades chinesas recuaram no acordo e que, como o queriam enviar de volta para Shandong, exigiu partir para os Estados Unidos.

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As autoridades norte-americanas anunciaram esta sexta-feira que a China aceitou dar "o mais rapidamente possível" a Chen Guangcheng "documentos de viagem" para que o ativista possa ir para os Estados Unidos.

A China tinha anunciado que Chen podia apresentar um pedido para estudar no estrangeiro, e a porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Victoria Nuland, afirmou que os Estados Unidos darão rapidamente um visto ao ativista e à família.

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