Estratégias

Do confinamento zero ao confinamento inteligente

Do confinamento zero ao confinamento inteligente

Três países europeus não apertaram as regras para travar a pandemia e um deles até mantém escolas e espaços de lazer abertos. Como se dão?

As estratégias dos governos europeus contra o coronavírus são tudo menos coerentes. Itália, Espanha e França viram-se obrigadas, pela multiplicação de casos, a tomar medidas restritivas, Portugal e a República Checa destacam-se por terem antecipado restrições e Suécia, Holanda e Islândia rejeitaram paralisar os países - como se pode ver no infográfico, onde não constam -, e mantêm atividades não essenciais.

Extremo sueco

Os suecos continuam com uma vida quase normal. Podem jantar num restaurante, ir a estações de esqui, comprar roupa nas lojas. E as escolas dão aulas aos menores de 16 anos. Medidas mais liberais, justificadas com o arreigado distanciamento social na sociedade sueca, mas também arriscadas. Os limites impostos são as reuniões com mais de 50 pessoas e o fecho de instituições de ensino superior. E as recomendações são a aposta no teletrabalho e no distanciamento social.

A Suécia só alterou a estratégia para detetar novos casos. Primeiro, só as pessoas que tivessem sintomas após ter regressado do estrangeiro faziam o teste do coronavírus e ficavam em isolamento em caso positivo.

Atualmente, as autoridades focam-se na realização de provas à população de maior risco. E quem, sendo ou não de risco, apresente sintomas leves é obrigado a ficar em casa até dois dias depois de passarem esses sinais.

Ainda assim, os dados pioram a cada dia: com a mesma população de Portugal, tem menos casos diagnosticados mas mais 112 mortes...

"Inteligência" holandesa

A Holanda também se opõe ao endurecimento das restrições - que incluem o fecho de locais de lazer e escolas (como em Portugal, mantêm um serviço mínimo para os filhos dos profissionais necessários na luta à Covid-19).

Os cidadãos continuam a poder passear, fazer desporto ao ar livre ou visitar parques com crianças. E, num país onde consumir droga é tolerado, o Governo permite que os consumidores comprem nos coffee shops em regime de takeaway.

As poucas recomendações das autoridades são a lavagem das mãos e o respeito de uma distância de metro e meio entre pessoas.

Apesar de superar os 100 mortos diários e ter camas insuficientes nos cuidados intensivos (vários doentes foram transportados para a Alemanha), o primeiro-ministro, Mark Rutte, anunciou na quarta-feira o prolongamento deste "confinamento inteligente" até ao dia 28 de abril.

Exceção islandesa

O estudo das deficiências de estratégias alheias serviu para que a Islândia adotasse das medidas com maior sucesso em todo o Mundo. Encomendou a uma farmacêutica norte-americana a realização de testes a milhares de pessoas, tenham ou não sintomas, para poder perceber como o vírus se propaga. Assim, as autoridades detetaram que 50% dos que testaram positivo são assintomáticos e que o vírus pode sofrer mutações.

O Governo tem controlado o aumento dos infetados e decidiu não paralisar a economia, ainda que tenha fechado a maioria dos locais de lazer e os centros educativos e proibido reuniões com mais de 20 pessoas.

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