Revelação

Donald Trump pediu ajuda a Xi Jinping para a reeleição

Donald Trump pediu ajuda a Xi Jinping para a reeleição

Livro do ex-conselheiro de segurança nacional, John Bolton, revela um "presidente viciado no caos". Pode ser travado na justiça.

Ainda sem ser lançado, "The room where it happened: a White House Memoir" ("A sala onde aconteceu: memórias da Casa Branca") já causa danos. O livro do ex-conselheiro de segurança nacional de Donald Trump, John Bolton, deveria estar nas livrarias no dia 23. Mas uma ação do Governo norte-americano já está na justiça para bloquear a publicação, por conter informações classificadas. Ou apenas um retrato muito pouco elegante do presidente dos EUA.

A editora, Simon & Schuster, nega conteúdos classificados, mas avisa que o livro "revela um presidente viciado em caos, que abraçou os inimigos e rejeitou os amigos" dos EUA, "desconfiava profundamente do seu próprio Governo" e tinha um processo de tomada de decisão "inconsistente e disperso", cujo objetivo era só um: a reeleição.

A pré-publicação ontem avançada pelos jornais "The Wall Street Journal", "The New York Times" e "The Washington Post" é estarrecedora. Bolton escreve que Trump devia mesmo ter sido destituído, acusa os democratas de terem cometido falhas no processo que acabou barrado pela maioria republicana do Senado e diz que o caso da Ucrânia, que motivou o inquérito parlamentar, é apenas um dos muitos que mereceriam investigação. Tudo isto apesar de ter recusado testemunhar no processo, o que lhe vale já valentes críticas sobre o facto de estar a guardar-se para o livro.

Diplomacia com fins pessoais

Entre as transgressões - e é mesmo a revelação do ano - o pedido ao presidente chinês, Xi Jinping, de ajuda na reeleição, por via do aumento da compra da produção agrícola dos EUA, porque isso aumentaria a base de apoio de Trump a caminho da vitória nas presidenciais de novembro. Foi num jantar a dois, à margem da cimeira do G20 de junho de 2019, no Japão.

A China, recorde-se é ódio de estimação oficial do presidente norte-americano, contra a qual lançou uma guerra comercial e que acusa de ser responsável pela pandemia de covid-19 e pelos mortos que causou.

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Bolton, um conhecido belicista dispensado por Trump em setembro de 2019 depois de desentendimentos em torno das relações com o Irão (ordenar um ataque "foi a coisa mais irracional" que viu) e a Coreia do Norte, já avisara que haveria revelações de transgressões como a chantagem de Trump com o presidente ucraniano. Teria feito depender apoio militar programado à Ucrânia em troca da investigação dos negócios da família do seu opositor democrata nas presidenciais, Joe Biden, naquele país.

"O padrão parece ser o da obstrução da justiça como modo de vida, o que não podíamos aceitar", escreve Bolton. E acusa Trump de apoiar a construção de campos de detenção para a minoria muçulmana uigure na província de Xinjiang e de passar por cima das violações de direitos humanos como o massacre de Tiananman.

Sair da NATO e fazer "algo histórico", ou invadir a Venezuela, "parte dos EUA", poderia ser "cool", são outras das pérolas de um livro de 592 páginas que promete fazer furor.v

Trump, o ignorante

Donald Trump, o "errático" e "espantosamente mal informado" que vê "conspiração debaixo de cada pedra", não sabia uma data de coisas, revela John Bolton. Designadamente, que a Finlândia não é parte da Rússia. Ou que o Reino Unido é uma potência nuclear.

Pompeo, o falso

O secretário de Estado, Mike Pompeo, é o mais exaltado defensor de Trump. Publicamente. Em privado, diz Bolton, goza com ele "É tão cheio de merda", disse a Bolton, num bilhete que lhe passou numa cimeira com o líder coreano e cujo sucesso estimou em "zero"

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