Covid-19

Dos três tratamentos aplicados a Trump, dois não estão aprovados nos EUA

Dos três tratamentos aplicados a Trump, dois não estão aprovados nos EUA

Em três dias, o presidente dos EUA fez três tratamentos avançados para o coronavírus, dois dos quais, os primeiros, não estão aprovados para uso geral pela FDA, a entidade equivalente ao Infarmed em Portugal.

Donald Trump anunciou, na sexta-feira, que tinha testado positivo à covid-19. Nesse mesmo dia, o tratamento a que foi sujeito incluiu o REGN-COV2, uma combinação experimental de dois anticorpos monoclonais, fornecido a pedido do médico da Casa Branca e que ainda está em fase de testes, longe de ser aprovada pela "Food and Drug Admnistração" (FDA, na sigla em inglês), uma entidade com funções similares ao Infarmed, em Portugal.

No dia seguinte, sábado, apesar de se "sentir bem", Donald Trump foi internado no hospital militar Walter Reed, onde lhe foi administrado o Remdesivir. Esta droga, que bloqueia a capacidade do coronavírus se multiplicar, não está ainda aprovada para uso geral pela FDA, tendo sido usada em muitos pacientes nos EUA ao abrigo de uma autorização especial para uso de emergência, anunciada pelo presidente dos EUA, a 1 de maio, considerando que era apenas para doentes graves.

No domingo, terceiro dia de doença pública e notória de Donald Trump, o presidente dos EUA foi tratado com dexametasona, um corticoide administrado para controlar a resposta inflamatória, usado normalmente em casos graves da doença, e cujos efeitos secundários têm impedido muitos médicos de os recomendar.

A rapidez com que estes tratamentos foram administrados a Donald Trump, em apenas três dias, causaram surpresa, uma vez que, diz a generalidade dos especialistas, nenhum destes fármacos seria para pacientes com sintomas moderados.

REGN-COV2 fornecido a título excecional a pedido dos médicos de Trump

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A Casa Branca confirmou, na sexta-feira, que os médicos deram uma dose única, de oito gramas, de REGN-COV2. A empresa fabricante, a Regeneron, confirmou que forneceu aquele medicamento experimental em resposta a um pedido compassivo, isto é, uma solicitação individual para uso do fármaco feita por um paciente que não faz parte dos estudos do mesmo.

"Tudo o que podemos dizer é que eles pediram para o usar e nós ficamos felizes por poder ajudar", disse o diretor-executivo da Regeneron, Leonard S. Schleifer, membro do clube de golfe de Trump no condado de Westchester, em Nova Iorque.

"Quando se trata do presidente dos EUA, obviamente que tem toda a nossa atenção", acrescentou Schleifer, em declarações ao jornal "The New York Times".

Na terça-feira, dia 29 de setembro, a Regeneron anunciou os resultados dos testes feitos em 275 pacientes não hospitalizados. O estudo concluiu que o fármaco era seguro e reduziu as cargas virais e os sintomas dos doentes com covid-19.

Os resultados carecem ainda de revisão, feita por outros cientistas, mas apresentam resultados promissores. Ao ponto de a Regeneron estar a pensar pedir uma autorização para uso de emergência, noticia a CNN.

O que é o REGN-COV2?

O REGN-COV2 é um fármaco que começou a ser testado em humanos em junho e que aguarda pelo final dos estudos para se submeter à aprovação da FDA.

Os chamados anticorpos monoclonais são usados há cerca de 30 anos para tratar o cancro ou doenças inflamatórias e também podem funcionar contra o SARS-CoV-2, o nome científico do novo coronavírus que causa a doença covid-19.

Essas moléculas são produzidas naturalmente pelo sistema imunitário para desencadear um ataque contra perigos específicos, como células cancerígenas, bactérias ou vírus. Os anticorpos monoclonais são selecionados do sangue de pacientes curados ou produzidos em laboratório a partir de grupos de células preparadas para esse fim.

Todos têm em comum o ataque à proteína S com a qual o vírus SARS-CoV-2 se liga à superfície das células humanas, uma proteína que tem um papel fundamental no processo infeccioso.

Como funciona a dexametasona?

A dexametasona é um anti-inflamatório usado "para diminuir a resposta inflamatória que o próprio organismo desencadeou na sequência da infeção pelo SARS-CoV-2", explicou à TSF Filipe Froes.

A Agência Europeia do Medicamento deu parecer favorável ao uso de dexametasona em doentes com covid-19 que necessitem de suporte ventilatório, no dia 1 de outubro, um dia antes de Trump testar positivo.

A Organização Mundial de Saúde alertou que a dexametasona não é "um tratamento ou profilaxia" para o novo coronavírus, salientando que o esteroide testado com sucesso no Reino Unido só deve ser usado em doentes com casos graves de covid-19.

A dexametasona é um medicamento corticosteroide - que começou a ser considerado como um potencial tratamento para a covid-19 devido à sua capacidade para reduzir a inflamação - que desempenha uma ação relevante no desenvolvimento da doença em alguns doentes com covid-19 admitidos nos hospitais.

"A dexametasona poderá ser administrada por via oral ou sob a forma de uma injeção ou perfusão (gota a gota) numa veia. Em qualquer uma das situações, a dose recomendada nos adultos e adolescentes é de 6 mg uma vez por dia, por um período que se pode estender até 10 dias", explicou o Infarmed.

"Começou a ser utilizada nesses doentes [ventilados], neste momento utiliza-se quando há evidência de uma resposta inflamatória que pode ser prejudicial ao próprio doente, o hospedeiro, e habitualmente isso ocorre ao fim de sete dias de desenvolvimento de sintomas", explicou o pneumologista Filipe Froes.

Remdesivir: Trump disse que era só para doentes graves

Aprovado para uso de emergência nos EUA a 1 de maio, o Remdesivir, um antiviral criado pela farmacêutica norte-americana Gilead como potencial tratamento para o ébola, foi a primeira terapia a demonstrar uma certa eficácia nos doentes hospitalizados com covid-19 num ensaio clínico de dimensão significativa, mesmo sendo o efeito considerado modesto.

O presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou a 1 de maio, acompanhado do presidente da Gilead, que o medicamento recebeu uma "autorização de emergência" da Administração Federal de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês).

"É um prazer anunciar que a Gilead tem agora uma autorização de emergência da FDA para o Remdesivir. E isso ocorre porque (...) é um tratamento importante para os pacientes hospitalizados com coronavírus", disse Trump, sustentando que o medicamento tem um comportamento prometedor e que só será usado em meio hospitalar em doentes em estado grave.

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