A crise dos refugiados na Europa

A agência humanitária nascida para morrer

A agência humanitária nascida para morrer

Três anos. A esperança de vida da agência da ONU para os refugiados estava calculada.

Nascida na Assembleia Geral das Nações Unidas de 14 de dezembro de 1950, pretendia dar uma mão aos europeus deslocados pela II Guerra Mundial. Menos de um ano depois, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) emitia a convenção onusiana fixando os estatutos da agência e as bases do apoio aos refugiados e da criação do seu estatuto.

E foi trabalhando, até passar o prazo de validade e, nesse ano (1954), ser galardoado com o Prémio Nobel da Paz e ver prorrogada a sua vida por mais uns anos e confirmada, no terreno, a utilidade da sua existência: em 1956, os soviéticos esmagavam a revolução húngara, provocando um êxodo de refugiados.

Seguiram-se, na década de 1960, os primeiros fluxos de refugiados de África, fruto de uma descolonização nem sempre bem sucedida. Depois, foi na Ásia e na América Latina e depois voltou África com as guerras fratricidas e por fim, de novo, a Europa, agora abalada pelos conflitos nos Balcãs, e estava dada a volta a um Mundo feito de mobilidade.

Pelo meio, em 1981, entregavam-lhe o segundo Nobel da Paz, agora por um trabalho mundial a derrubar barreiras políticas. O trabalho do ACNUR faz-se agora em múltiplas frentes e, inclusive, dentro de portas em nações que acumulam milhões de deslocados internos. E estende a mão àqueles que, não tendo nação, não podem, sequer ser refugiados: os apátridas.

Uma organização que começou com 34 funcionários e 300 mil dólares anuais tem hoje mais de 9300 pessoas ao seu serviço no Mundo e precisa de sete mil milhões de dólares para sobreviver este ano.

As competências do ACNUR recaem sobre 23,9 milhões de deslocados internos, 11,7 milhões de refugiados, 1,8 milhões de repatriados, 3,5 milhões de apátridas, quase um milhão de requerentes de asilo e 836 mil beneficiários de proteção. São números de janeiro de 2014, que totalizam 42,8 milhões de pessoas. Calcula-se que estejam nos 60 milhões.

A crise dos refugiados na Europa

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG