A revolução franciscana

Aprofundar o debate sobre o lugar da mulher na Igreja

Aprofundar o debate sobre o lugar da mulher na Igreja

Na sua primeira longa entrevista, ao padre jesuíta Antonio Spadaro, o Papa Francisco afirmava: "É necessário ampliar os espaços de uma presença feminina mais incisiva na Igreja". O Papa criticava a "ideologia machista", defendendo que a mulher é "imprescindível" para a Igreja e que é preciso "trabalhar mais para fazer uma teologia profunda da mulher", bem como "reflectir sobre o lugar específico da mulher, precisamente também onde se exerce a autoridade nos vários âmbitos da Igreja".

A exegese bíblica das últimas décadas tem destacado cada vez mais o lugar importante que as mulheres tiveram no grupo dos seguidores de Jesus e as mulheres concretas que São Paulo deixou a liderar comunidades por ele criadas.

Mesmo tendo já dito que a ordenação de mulheres é uma porta fechada no catolicismo, as afirmações do Papa - repetidas, por outras palavras, em diferentes momentos - abrem espaço a um debate até aqui quase só dogmatizado. Também por isso, Francisco nomeou mais mulheres para a Comissão Teológica Internacional, do Vaticano, pedindo que elas não sejam apenas a "cereja no topo do bolo".

Uma das escolhidas, a irmã Mary Prudence Allen, que se considera "uma nova filósofa feminista na linha" do Papa João Paulo II, dizia há um ano que quer "enriquecer a compreensão da mulher na Igreja" e "ajudar a remover os obstáculos para o pleno desenvolvimento das mulheres em áreas de discriminação, exploração e violência - um desejo que é compartilhado com feministas de outras tradições."

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