A revolução franciscana

Um compromisso assinado nas catacumbas

Um compromisso assinado nas catacumbas

Foi na Catacumba de Santa Domitília, um dos cemitérios romanos dos primeiros séculos da era cristã, que o documento foi assinado, no final de uma missa, há 50 anos: a 16 de novembro de 1965, cerca de meia centena de bispos católicos, que estavam em Roma a concluir o Concílio Vaticano II, assinaram o que viria a ficar conhecido como Pacto das Catacumbas. O documento acabou por ficar quase desconhecido, sendo ressuscitado apenas nos últimos cinco anos.

No texto, os bispos comprometiam-se a viver de forma mais despojada, renunciando à "aparência e à realidade da riqueza", fosse no traje, nos bens de propriedade ou na gestão financeira, ou mesmo nos títulos usados - como "eminência, excelência, monsenhor".

Os bispos, que diziam preferir ser tratados por padre, propunham-se também dar o tempo necessário ao serviço das pessoas e dos grupos "economicamente mais débeis e subdesenvolvidos". E afirmavam que iriam pugnar "para que os responsáveis pela governação" pusessem em prática leis, estruturas e instituições necessárias "à justiça, à igualdade e ao desenvolvimento".

O espírito do pacto foi levado à prática por muitos membros do clero e por muitos grupos católicos, sobretudo na América Latina.

Recuperado nos últimos anos, o documento começou a ser objeto de estudo, com um congresso e a publicação de artigos e de um livro, editado há duas semanas em vários países (O Pacto das Catacumbas - A Missão dos Pobres na Igreja, ed. Paulinas). O espírito do Pacto das Catacumbas, escrevem os organizadores, "guiou algumas das melhores iniciativas cristãs dos últimos 50 anos".

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