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"Havia uma mão que ainda segurava uma fotografia"

"Havia uma mão que ainda segurava uma fotografia"

Há uma imagem que Eddie Branquinho não apaga da memória. "Havia uma mão, que retirámos (dos escombros), ainda a segurar uma fotografia". Talvez seja por ter vivido tão intensamente aquele cenário de restos de vidas abruptamente interrompidas que, para o detective português da Polícia de Newark, em New Jersey, o 11 de Setembro de 2001 "não foi há dez anos. Para mim, foi ontem".

Eddie, agora na reforma, integrou os primeiros grupos de bombeiros e polícias que no dia seguinte aos atentados terroristas em Nova Iorque procuraram sobreviventes nos escombros das Torres Gémeas. "Não se via ali ninguém a trabalhar que não tivesse uma lágrima no olho", diz o ex--polícia numa entrevista ao JN via Skype.

"Todos nós", acrescenta, "podíamos trabalhar como heróis, mas todos nos sentíamos tão pequeninos como qualquer ser humano se sentiria perante uma situação inimaginável como aquela". Trabalhar até ao limite no meio de tantas e tantas toneladas de escombros "afecta psicologicamente uma pessoa", nota o ex--sargento que recorda "os pedaços de corpos, os braços que não se sabia de quem eram, os documentos espalhados".

Pai de dois filhos, Eddie refugia-se agora na tranquilidade do golfe, que tenta praticar todos os dias, sem perder de vista aquele dia "tão arrasador que nunca deve ser esquecido".