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A recusa de cedências ao apartheid

A recusa de cedências ao apartheid

Quando Nelson Mandela foi encarcerado em 1964 em Robben Island - pequena ilha-prisão de alta segurança, onde permaneceu 18 anos, a 12 kms da costa da Cidade do Cabo, no frígido Atlântico Sul -, o Governo sul-africano reservava-lhe morte em vida.

O cadastro era claro. Crime: sabotagem. Sentença: prisão perpétua mais cinco anos. Durante o dia, os reclusos eram sujeitos a trabalhos forçados, partindo pedra e movendo-a de um local para outro. Mas Mandela não era pessoa dada a ceder. Acordava de madrugada (às 3.30 horas) e fazia exercícios físicos durante duas horas.

À medida que os anos passavam e as autoridades iam fazendo algumas concessões, ele dedicava-se a cursos por correspondência, estudava Economia e História, aprendia afrikaans e lia poesia afrikaans (língua falada na África do Sul pelos descendentes dos holandeses e alemães dos séculos XVII e XVIII, depois de absorver palavras usadas pelos colonizadores europeus não-germânicos, pelos escravos trazidos do sudeste da Ásia e por africanos nativos).

Mandela passou a ser modelo de conduta para os jovens reclusos e a ilha começou a ser conhecida como "Universidade Mandela". Temendo a influência, o Governo transferiu o prisioneiro para Poolsmoor em 1982 e, pouco tempo depois, as autoridades começaram a aliciá-lo com propostas de libertação: se fores para o exílio... se fores para a tua terra... se renunciares à violência... Mandela não cedia e ao regime do "apartheid" não agradava a perspectiva de vê-lo morrer na prisão. O que faria então a população negra?...

Em 1988, as autoridades decidiram transferir Mandela para a herdade-prisão de Victor Vester, onde havia piscina, telefone e acesso a telefax. Tornava-se cada vez menos evidente de quem era prisioneiro de quem. Os carcereiros já o tratavam por Senhor Mandela.

Numa carta dirigida à mulher, Winnie, ele comentava então que, tendo estado a ler alguns textos de Eurípedes e Sófocles, concluía: "Um dos princípios fundamentais que herdámos dos filósofos da Grécia clássica é que o verdadeiro homem é aquele que se pode manter firmemente de pé, sem flectir os joelhos, mesmo quando lida com a divindade".

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