bin Laden

Apaches indignados por nome de código dado a bin Laden

Apaches indignados por nome de código dado a bin Laden

O líder da tribo apache em Fort Sill pretende que o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, apresente desculpas pelo nome de código 'Jerónimo' dado à operação que levou à morte de bin Laden.

O chefe Jeff Houser reclamou o pedido de desculpas em carta enviada a Obama. A missiva foi enviada terça-feira para a Casa Branca e colocada, esta quarta-feira, no sítio da tribo na internet.

Houser escreve que a sua tribo ficou contente quando soube da morte de Bin Laden, mas que este sentimento esfriou quando se veio a saber que o líder da al-Qaeda era designado pelo nome de um dos lendários guerreiros da tribo de Oklahoma.

Houser considera ainda que equiparar Jerónimo ou qualquer outra figura índia americana com "um terrorista, assassino em série e cobarde" é doloroso e ofensivo.

Também a principal assessora do comité senatorial para os Assuntos Índios, Loretta Tuell, criticou a opção: "A utilização deslocada de ícones da cultura índia é muito frequente na nossa sociedade. As suas consequências sobre o espírito das crianças índias e não-índias são devastadoras".

A Casa Branca foi informada do resultado da missão do comando das forças especiais da Marinha com as palavras 'Geronimo-E KIA', contracção de 'Geronimo Enemy Killed in Action' [Jerónimo Inimigo Morto em Combate].

No mesmo sentido, o Congresso Nacional dos Índios Americanos (CNIA) criticou o recurso ao nome do célebre chefe apache para designar a eliminação do chefe da al-Qaeda.

Em comunicado, o presidente do CNIA, que é a principal associação representativa dos índios, Jefferson Keel, afirmou que "associar um guerreiro índio a Bin Laden não é um reflexo justo da história, além de que menoriza o sacrifício dos ameríndios mobilizados nas fileiras" das forças armadas.

Keel recordou, a propósito, os 71 ameríndios mortos e os 400 feridos em combate no Iraque e no Afeganistão desde 2001.

Chefe lendário da rebelião apache no século XIX, Jerónimo (1829-1909) foi considerado um brilhante estratega de guerrilha e esteve detido como prisioneiro de guerra durante 20 anos.