Mundo

Doze mortos em "ataque terrorista" a semanário francês que publicou cartoon de Maomé

Doze mortos em "ataque terrorista" a semanário francês que publicou cartoon de Maomé

Pelo menos 12 pessoas morreram e onze ficaram feridas, esta manhã de quarta-feira, num tiroteio no interior da redação da revista satírica francesa "Charlie Hebdo", em Paris, confirmou François Hollande. O semanário publicou, em 2011, um polémico cartoon satírico de Maomé. Veja o vídeo dos ataques.

"Jornalistas e polícias foram assassinados", disse o presidente da República francês à chegada à sede do semanário "Charlie Hebdo". "Foi um ataque terrorista, não há dúvida quanto a isso", acrescentou François Hollande, informando, ainda, que há 40 pessoas que estão sob proteção.

O ataque fez doze mortos, incluindo dois polícias e oito jornalistas.

Durante mais de dez minutos, atacantes vestidos de negro fizeram mais de 30 disparos contra os jornalistas e funcionários do semanário "Charlie Hebdo". Três desenhadores da publicação, Cabu, Charb e Wolinski, morreram durante o ataque.

"Vingámos o profeta", gritou um dos atacantes.

O ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve, anunciou que houve três envolvidos no ataque. Bernard Cazeneuve disse que as autoridades francesas estão a fazer tudo para "neutralizar tão rapidamente quanto possível os três criminosos que cometeram este ato de barbárie".

Informações iniciais indicavam que o ataque foi levado a cabo por dois homens, armados com uma espingarda automática 'Kalashnikov' e com um lança-rockets.

"Paris está em estado de guerra. O nível de segurança foi elevado para o máximo", disse ao JN Hermano Sanches Ruivo, conselheiro português da Câmara de Paris. Foi reforçada a vigilância em escolas, edifícios públicos, monumentos e nas redações de todos os meios de comunicação social.

Segundo o chefe de estado francês, o nível de alerta de segurança Vigipirate foi elevado para o nível máximo de "atentado terrorista".

O ataque foi condenado pela comunidade internacional, em choque face à brutalidade do atentando.

As formações de extrema-direita francesas Frente Nacional e Aliança Azul Marinho afirmaram-se "horrorizadas com o odioso atentado".

As redes sociais reagiram rápido às notícias do tiroteio no semanário francês "Charlie Hebdo". No Twitter, o assunto já é o mais falado a nível mundial e o ataque gerou uma onda de solidariedade.

Jornal polémico

O "Charlie Hebdo" é uma publicação satírica semanal, de esquerda, fundada em 1969. É fortemente antireligiosa e publica regularmente artigos provocatórios, cartoons e piadas sobre o Catolicismo, o Islão, o Judaísmo, bem como sobre política e cultura.

O semanário acabou por fechar em 1981, mas em 1992 foi novamente para as bancas.

Em 2011 foi alvo de um ataque à bomba e o seu site violado por piratas informáticos, depois de ter feito uma edição satírica, em que a capa era um desenho do profeta Maomé, que, supostamente, seria editor responsável por esse número do jornal.

Em 2012, o "Charlie Hebdo" publicou os cartoons satíricos de Maomé oriundos da Dinamarca, que provocaram graves protestos em vários pontos do mundo islâmico. Após o ataque desta quarta-feira, a segurança foi reforçada em redor da sede do jornal dinamarquês que publicou inicialmente as caricaturas do profeta Maomé.

O último "tweet" colocado na conta do semanário na rede Twitter satirizava Abu Bakr al-Baghdadi, o líder do Estado Islâmico.