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Drones kamikazes iranianos desafiam eficácia da defesa aérea ucraniana

Drones kamikazes iranianos desafiam eficácia da defesa aérea ucraniana

A defesa aérea ucraniana, que até agora se tem mostrado eficaz contra a aviação russa, está a ser desafiada pelo crescente uso por parte de Moscovo de drones kamikazes fabricados pelo Irão.

Três aviões não tripulados iranianos Shahed-136 foram destruídos hoje pela defesa aérea ucraniana, na região de Mykolaiv, segundo fontes militares de Kiev.

Na declaração das autoridades ucranianas é feita referência ao facto de as suas forças armadas estarem a "procurar métodos eficazes para combater" este tipo de drones.

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As características técnicas dos 'drones' iranianos, classificados pelo exército russo como Geran 2, ainda não são totalmente conhecidas pelos ucranianos, sabendo-se para já que apenas estão a ser utilizados para ataques cirúrgicos e que os explosivos que transportam detonam no impacto.

O primeiro uso verificado desses dispositivos de fabrico iraniano contra alvos ucranianos ocorreu em 13 de setembro, quando um deles foi abatido na região de Kharkiv, onde tropas russas tentavam conter a contra-ofensiva lançada pela Ucrânia.

Desde essa altura, outros casos foram verificados, registando-se o aumento do seu uso, nomeadamente nas regiões de Odessa, Mykolaiv e Dnipropetrovsk.

Um desses ataques, no domingo passado, resultou em danos num prédio no porto de Odessa, que provocou pelo menos um morto; na segunda-feira, um alvo militar foi atingido por dois drones Shahed-136 na mesma região daquela cidade portuária.

De acordo com o porta-voz da Força Aérea Ucraniana, Yuriy Ignat, os ataques de 'drones' ocorrem ao mesmo tempo que se verifica um declínio no uso de mísseis.

Ignat avisou que, embora os 'drones' não tenham "altos parâmetros técnicos", constituem "um difícil desafio" para a defesa aérea ucraniana.

Também o porta-voz da administração militar regional de Odessa, Sergiy Bratchuk, disse que a ameaça representada por esses dispositivos está a aumentar, explicando que são difíceis de detetar visualmente, embora possam ser ouvidos ao longe, pelo som dos motores.

A defesa aérea ucraniana pode detetar os 'drones' nos radares, embora muitas vezes a opção mais viável para desativá-los seja derrubá-los com metralhadoras.

Estes aviões não tripulados estão a substituir o uso de aviões por parte dos russos, que têm tido dificuldade em controlar o espaço aéreo na Ucrânia.

O Estado-Maior em Kiev estima que 261 aviões militares russos e 224 helicópteros foram abatidos até agora.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 13 milhões de pessoas -- mais de seis milhões de deslocados internos e mais de 7,4 milhões para os países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa - justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 5.996 civis mortos e 8.848 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

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