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Drones ucranianos atingem Rússia e expõem falhas na defesa aérea

Drones ucranianos atingem Rússia e expõem falhas na defesa aérea

Ataques a três aeródromos levantam questões de segurança a nível interno. Ucrânia não assume responsabilidade, mas Kremlin promete retaliar.

Uma terceira base militar russa, localizada na cidade de Kursk, foi esta terça-feira alvo de um ataque de drone, causando um incêndio num depósito de combustível. A mais recente investida com recurso a veículos aéreos não tripulados não causou vítimas, confirmou o governador da região, no entanto, acontece imediatamente após dois episódios semelhantes, ocorridos na segunda-feira. Os golpes em território russo, não reivindicados pela Ucrânia, levantam questões sobre a facilidade com que é possível ludibriar a segurança do país e estão a causar indignação.

Apesar de as autoridades ucranianas não assumirem publicamente a responsabilidade por nenhum dos três ataques, o jornal "The New York Times", que cita um alto funcionário de Kiev, revelou que os drones envolvidos nas explosões de segunda-feira foram lançados a partir de território ucraniano, acrescentando que pelo menos um dos ataques foi programado com a ajuda de forças especiais próximas à base atacada.

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"A linha de continuidade destes ataques terroristas é um fator de perigo. Estamos a tomar as medidas apropriadas", alertou o porta-voz do regime russo, Dmitry Peskov, sem detalhar as retaliações que se seguem. Embora o Kremlin tenha anunciado medidas contra Kiev, o facto de pelo menos três drones terem conseguido entrar no espaço aéreo russo sem serem intercetados assinala possíveis falhas de segurança.

"Se a Rússia avaliar que os incidentes foram ataques deliberados, provavelmente, irá considerá-los como falhas significativas", referiu o Ministério da Defesa da Grã-Bretanha, citado pela agência Reuters.

Indignação interna

A nível interno, a aparente ineficácia das autoridades russas em garantir a defesa do território também está a causar agitação. Segundo um relatório do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW, sigla em inglês), com sede em Washington, vários especialistas militares que escrevem em blogs russos manifestaram desagrado pelo facto de os oficiais liderados por Moscovo não terem protegido adequadamente as bases aéreas de Engels-2 e de Dyagilevo.

Como indica o documento do ISW, os especialistas - conhecidos como "milbloggers" - consideram que a situação é ainda mais grave, uma vez que as Forças Armadas sabiam antecipadamente que as bases aéreas eram potenciais alvos e não fizeram nada para evitar os incidentes.

Se há nove meses, quando começou a ofensiva na Ucrânia, os principais trunfos de ambos os exércitos eram os mísseis de cruzeiro, os monstruosos tanques, que aludiam à II Guerra Mundial, e a pesada artilharia tradicional, atualmente, os drones são os novos protagonistas no teatro de operações.

Em conflitos anteriores, este tipo de armas eram normalmente usadas para localizar alvos - por exemplo em operações dos EUA no Afeganistão e no Médio Oriente -, mas nos dias de hoje têm sido integradas em todas as fases do conflito, mostrando-se imprescindíveis na hora de atacar o inimigo, na maior parte das vezes, localizado a grandes distâncias.

Ataque em Donetsk

Pelo menos seis civis morreram e dez ficaram feridos num ataque com mísseis ucranianos contra Donetsk, cidade no Leste da Ucrânia que é controlada pelos separatistas russos, indicaram as autoridades locais.

Visita ao Donbass

Volodymyr Zelensky foi até Sloviansk, no Donbass, para se encontrar com os combatentes que lutam na frente da batalha que decorre na região.

Troca de prisioneiros

As autoridades da Rússia e da Ucrânia fizeram uma nova troca de soldados. Kiev confirmou a libertação de 120 militares, enquanto 60 russos saíram do cativeiro.

Zelensky recusa assinar acordo de paz

O presidente Volodymyr Zelensky reafirmou que recusa assinar um acordo de paz com a Rússia, alegando que Vladimir Putin acabará por violar o compromisso, citando um exemplo de 1994. Zelensky lembrou o caso do Memorando de Budapeste de 1994, no qual Kiev renunciou a ficar com armas nucleares em troca de o Estado russo respeitar a soberania e o território da Ucrânia.

Mais embaixadas recebem cartas ameaçadoras

As embaixadas da Ucrânia na Roménia e na Dinamarca receberam esta terça-feira pacotes ou cartas ameaçadoras, o que eleva para 21 os casos deste tipo de remessas para países europeus que apoiam Kiev, revelou o Governo ucraniano. O objetivo é "aterrorizar os nossos representantes", lamentou o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Dmytro Kuleba.

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