Pandemia

É muito cedo para os britânicos marcarem férias no estrangeiro, alerta ministro

É muito cedo para os britânicos marcarem férias no estrangeiro, alerta ministro

O ministro da Defesa britânico considera prematuro a população marcar férias no estrangeiro, reforçando a necessidade de evitar a propagação de variantes da covid-19 resistentes à vacina.

"Se de alguma forma fossemos imprudentes e importássemos novas variantes que apresentassem riscos, o que é que as pessoas diriam sobre isso? Estamos no bom caminho, estamos a chegar a bom porto e acho que temos de assegurar que preservamos isso a todo custo", disse Ben Wallace, neste domingo, à Sky News, salientando que a eventual saída de cidadãos britânicos para países estrangeiros, no verão, podia deitar por terra os avanços da campanha de vacinação no Reino Unido.

Em reação à ameaça da presidente da Comissão Europeia de bloquear as exportações da vacina da AstraZeneca contra a covid-19, o ministro da Defesa considerou que "se os contratos e os compromissos fossem rompidos, seria muito prejudicial para um bloco comercial que se orgulha de respeitar a lei". E disse que um bloqueio "seria contraprodutivo", destacando a natureza colaborativa da produção de vacinas, que implica vários países.

Bloqueio "prejudicaria a reputação da UE"

A concretização da ameaça de Ursula von der Leyen "comprometeria, não apenas as hipóteses de os seus cidadãos terem um programa de vacinação apropriado, mas também a de muitos outros países do mundo, e prejudicaria a reputação da UE", defendeu Wallace. "Tentar, de qualquer forma, dividir ou erguer muros não fará nada que não prejudicar os cidadãos da UE e do Reino Unido", disse, ainda, desta vez em entrevista à BBC.

O ministro britânico respondia às declarações presidente da Comissão Europeia, que admitiu, no sábado, bloquear as exportações da vacina da AstraZeneca, caso a União Europeia não recebesse primeiro as encomendas. "Temos a opção de proibir quaisquer exportações planeadas. Esta é a mensagem que estamos a enviar à AstraZeneca: respeitem o vosso contrato com a Europa antes de começarem a entregar a outros países", disse Ursula von der Leyen, acrescentando que "todas as opções estão sobre a mesa", num aviso claro.

A Comissão Europeia anunciou na quinta-feira que iria ativar um procedimento contratual para resolver o litígio com a AstraZeneca, cujas entregas de vacinas contra a covid-19 são significativamente inferiores às inicialmente previstas. A AstraZeneca deverá entregar 70 milhões de doses da sua vacina contra a covid-19 no segundo trimestre, muito menos do que os 180 milhões prometidos no contrato assinado com a União Europeia. No primeiro trimestre, espera-se que a UE tenha recebido um total de cerca de 30 milhões de doses da AstraZeneca.

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O mecanismo de proibição da exportação de vacinas é primeiro decidido pelo Estado-membro onde a vacina é produzida e depois a Comissão dá a sua luz verde. O mecanismo só foi utilizado uma vez, tendo a Itália bloqueado a exportação de 250.000 doses de vacina AstraZeneca para a Austrália, citando uma "escassez persistente" e "atrasos nas entregas".

Contudo, nem todos os Estados membros da UE são favoráveis a uma proibição de exportação, com países como a Holanda e a Bélgica - onde grande parte da vacina da AstraZeneca é produzida - a apelar à prudência.

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