Terrorismo

"É um milagre estar vivo", diz taxista que escapou à explosão em Liverpool

"É um milagre estar vivo", diz taxista que escapou à explosão em Liverpool

"Milagre": foi assim que o taxista David Perry descreveu o facto de estar vivo após um terrorista ter feito explodir a viatura onde seguia na cidade inglesa de Liverpool.

No domingo passado, um homem de ascendência síria e iraquiana fez explodir um engenho de fabrico artesanal em frente a um hospital de Liverpool, quando se encontrava no interior de um táxi. Emad Al Swealmeen, de 32 anos, morreu. Descrito como "taxista herói", David Perry trancou o suspeito no interior do carro ao desconfiar das suas intenções e sofreu apenas ferimentos ligeiros pós ter escapado da viatura segundos antes de o táxi ser envolvido pelas chamas.

Num comunicado, divulgado pela Unidade Antiterrorista e citado pela BBC, Perry começou por dizer que ele e a mulher Rachel ficaram "completamente emocionados" com as mensagens de apoio após o ataque de domingo e deixou um "agradecimento especial" às equipas da polícia e dos hospitais que o receberam e o trataram.

"Gostaríamos de agradecer a todos por todos os desejos de melhoras e pela incrível generosidade. Sinto que é um milagre estar vivo e estou tão grato que mais ninguém se magoou em tal ato maligno", continuou, acrescentando que quer agora focar-se na recuperação física e mental.

"Ninguém sabe por que fez o que fez"

Emad Al Swealmeen tinha um histórico de doença mental e viveu em vários países do Médio Oriente antes de se mudar para o Reino Unido. O seu pedido de asilo foi recusado em 2014 e as contestações legais subsequentes foram rejeitadas. Desde esse período, Al Swealmeen converteu-se do islamismo ao cristianismo, adotando o nome de Enzo Almeni. Os registos do tribunal mostram que renovou um recurso de asilo sob esse nome em janeiro.

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O bispo de Liverpool, Paul Bayes, rejeitou as críticas à Igreja e e à forma como os religiosos acolhem os requerentes de asilo, dizendo que fez a coisa certa ao apoiar Al Swealmeen. "Não recebemos um terrorista, recebemos alguém que estava um pouco perdido, que não estava na sua nação e que estava numa jornada", disse. "Até hoje, a polícia diz-nos que ninguém sabe ao certo por que fez o que fez."

A catedral anglicana de Liverpool era, supostamente, o alvo. Al Swealmeen pretendia ir à missa anual do Dia da Memória, na igreja onde se encontravam cerca de duas mil pessoas. O encerramento das estradas obrigou o táxi a desviar-se e a viagem acabou junto ao hospital, onde a bomba explodiu. Segundo o chefe da Unidade Antiterrorista, o autor do atentado começou a comprar os componentes para o artefacto explosivo em abril.

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