Ambiente

Elefantes deixam rasto de destruição em viagem até ao norte da China

Elefantes deixam rasto de destruição em viagem até ao norte da China

Manada de elefantes asiáticos selvagens faz viagem de 500 quilómetros pela China, deixando para trás um rasto de destruição em campos de milho e fábricas.

Quinze elefantes de uma reserva natural em Yunnan, no sul da China, iniciaram, a 20 de março de 2020, uma migração para o norte do país que já vai em mais de 500 quilómetros. Nas últimas semanas, várias imagens da viagem começaram a surgir nas redes sociais, mostrando os estragos da passagem dos elefantes pelas aldeias da província,

As imagens das câmaras de vigilância das aldeias mostram os elefantes a caminharem por estradas e localidades, acabando por comer campos inteiros de milho e destruindo celeiros. De acordo com a CCTV (emissora estatal da China), os estragos causados pelos animais foram estimados em 6,8 milhões de iuanes (um milhão de euros).

As autoridades chinesas recorreram recentemente a nove drones que tem acompanhado a viagem dos elefantes, de modo a não perdê-los de vista. As câmaras captaram a invasão dos animais a uma fábrica de baiju, bebida alcoólica muito famosa no país, provocando até uma situação de excesso de álcool no organismo de um dos elefantes, escreve um jornal local de Yunnan.

Várias pessoas relataram ainda que a passagem dos elefantes causou danos nas colheitas, pedindo indemnizações às autoridades locais. Também um revendedor de automóveis relatou que, há poucos dias, seis elefantes tinham entrado no concessionário, bebendo 2200 litros de água. "A manada de 15 elefantes que anda pela província de Yunnan continua a divertir-se. Na sexta-feira, os elefantes entraram numa casa rural vazia e abriram a torneira com o nariz, fazendo fila para beber água", escreveu o jornal chinês "Global Times" a propósito de outro episódio caricato

Falta de comida e inexperiência do líder da manada

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As autoridades enviaram para as cidades e aldeias da região centenas de polícias, bombeiros e agentes florestais, de modo a bloquear a entrada dos animais e facilitar uma resposta em caso de emergência. E, para afastá-los, deixaram milho, cana de açúcar e outros produtos agrícolas "que atraem elefantes asiáticos" em zonas não povoadas.

Os especialistas não sabem ainda a razão que levou estes elefantes a abandonarem a sua reserva natural no ano passado e dirigirem-se para áreas habitadas, mas apontam como possível causa a falta de alimento na floresta tropical. É também possível que o líder desta manada "não tenha experiência e tenha desencaminhado todo o grupo", avançou Chen Mingyong, especialista em elefantes asiáticos da Universidade de Yunnan, à agência estatal Xinhua.

É a primeira vez que uma manada de elefantes realiza uma viagem tão longa até ao norte do país. Desta vez, não foram relatados casos de ferimentos ou mortes, mas em 2019 seis pessoas morreram esmagadas por elefantes e, entre 2011 e 2017, os estes animais causaram a morte a 32 pessoas no país.

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