Reino Unido

Eleições: Boris livre para fazer o Brexit, Corbyn de saída

Eleições: Boris livre para fazer o Brexit, Corbyn de saída

Conservadores de Boris Johnson vencem as eleições do Reino Unido - a terceira desde 2015 - com maioria absoluta e confortável sobre a oposição. O Partido Trabalhista leva um rombo dramático e vai analisar o que falhou, antes de Jeremy Corbyn sair de cena.

Conquistando antigos bastiões dos trabalhistas e ganhando terreno em regiões pró-Brexit, Boris Johnson sai desta madrugada longa como vencedor por larga margem e dá ao Partido Conservador o melhor resultado desde 1992 (cinco anos antes, Margaret Thatcher ganhava com 376). De acordo com os resultados mais recentes, divulgados por volta das seis horas, Boris conseguiu eleger 362 deputados (mais 36 do que os necessários para a maioria), o que lhe confere grande liberdade para governar e cumprir a promessa de sair da UE antes do Natal. "Parece que foi concedido ao Governo Conservador um novo e poderoso mandato para concluir o Brexit, e não só concluir o Brexit, como também unir o país, levá-lo para a frente e focar nas suas prioridades", disse Boris Johnson no seu discurso de vitória.

O resultado da "eleição histórica", como descreveu, dá ao Governo "a oportunidade de respeitar a vontade democrática do povo britânico, mudar para melhorar e libertar o potencial de todo o povo", trabalho que "começa hoje". Discursando no círculo eleitoral de Uxbridge e South Ruisli - pelo qual era candidato e onde uma derrota teria ditado o seu afastamento como primeiro-ministro - o chefe de Estado eleito repetiu a promessa de investir no serviço nacional de saúde, voltando a anunciar a contratação de mais milhares de enfermeiros e de médicos de clínica geral, além da construção de 40 hospitais, um dos quais em Huxbridge.

No círculo de Islington, o tom foi outro. Jeremy Corbyn, que pelas seis horas só tinha conseguido 202 assentos na Câmara dos Comuns, assumiu "uma noite muito dececionante" para os trabalhistas e anunciou um "processo de reflexão sobre este resultado e as medidas a tomar no futuro". O dirigente trabalhista elogiou, ainda assim, o "programa de esperança e unidade" apresentado, "que ajudaria a corrigir os erros, as injustiças e as desigualdades", e que retirou o foco da saída do Reino Unido da União Europeia. "O Brexit tornou-se num debate tão dividido e polarizado que substituiu muito de um debate político normal", reconheceu, admitindo que isso contribuiu para os maus resultados do Partido Trabalhista. Para vários analistas britânicos, terá mesmo sido a ambiguidade política quanto à saída britânica que ditou a derrota histórica do "Labour" nestas eleições.

Também derrotada da noite eleitoral saiu a líder dos Liberais Democratas (11 assentos) ao falhar a reeleição como deputada no círculo de Dumbartonshire East por uma margem de 149 votos para Amy Callaghan, do Partido Nacionalista Escocês. Jo Swinson entrou na campanha de forma ambiciosa, traçando como metas chegar a primeira-ministra e revogar o Brexit. Após o anúncio dos resultados, a europeísta alertou para a "onda de nacionalismo que está a varrer os dois lados da fronteira". "Para milhões de pessoas no nosso país, estes resultados vão trazer pavor e consternação e as pessoas estão à procura de esperança. Ainda acredito que nós, como país, podemos ser calorosos e generosos, inclusivos e abertos. E que, trabalhando em conjunto com os nossos vizinhos mais próximos, podemos alcançar muito mais. Os Liberais Democratas vão continuar a defender esses valores", garantiu Swinson, que vai abandonar a liderança do partido.

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Outro dos vencedores da noite foi o Partido Nacional Escocês, que à mesma hora contabilizava 48 deputados, mais 15 do que em 2017. Na Grã-Bretanha dos pequeninos, e o Partido Unionista Democrático conseguiu oito lugares. O Partido Verde, que passou a perna ao Partido do Brexit (0), de Nigel Farage, conseguiu 1 deputado e diz que aumentou o número de votos em 60%, um aumento percentual maior do que o alcançado por qualquer outro partido.

Cerca de 46 milhões de britânicos votaram nestas eleições, convocadas pelo Governo para tentar desbloquear o impasse criado no Parlamento pelo processo do Brexit. A votos estiveram os 650 assentos na Câmara dos Comuns, aos quais concorreram 3322 candidatos.

Reveja aqui a cobertura ao minuto da noite eleitoral

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