Referendos

Eleitores ucranianos "forçados a votar sob mira de armas", acusa Zelensky

Eleitores ucranianos "forçados a votar sob mira de armas", acusa Zelensky

O presidente ucraniano disse, esta terça-feira, na ONU que uma eventual anexação de territórios da Ucrânia pela Rússia, através de referendos, significará que "não há nada a negociar" com o seu homólogo russo.

Numa declaração por videoconferência ao Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), Zelensky disse que os eleitores ucranianos "foram forçados a votar sob a mira de armas" e que os resultados "foram escritos com antecedência". "A anexação dos territórios é a violação mais brutal da Carta das Nações Unidas", afirmou o líder ucraniano.

No depoimento, a que a delegação russa se opôs, o chefe de Estado ucraniano pediu ainda um reforço de sanções contra a Rússia, assim como a sua expulsão da ONU e de todas as organizações internacionais.

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Perante as delegações diplomáticas presentes na reunião, Zelensky exortou a que Rússia seja ainda mais isolada internacionalmente, primeiro através da remoção do seu estatuto de membro permanente do Conselho de Segurança com direito a veto, e depois expulsando-a de todas as organizações internacionais, e, se isso não for possível, que seja bloqueada a sua participação.

A reunião do Conselho de Segurança foi convocada para abordar as crescentes tensões resultantes da decisão de Moscovo de mobilizar parcialmente os reservistas do exército para apoiar os esforços da sua guerra na Ucrânia e realizar referendos de anexação nas regiões de Donetsk, Lugansk, Zaporijia e Kherson.

Após a declaração de Zelensky, a embaixadora norte-americana na ONU, Linda Thomas-Greenfield, juntamente com a delegação da Albânia, apresentou uma resolução condenando a Rússia pela realização dos referendos.

"A Rússia começou esta guerra, e espero que cada membro deste Conselho faça a coisa certa ao defender o direito internacional e a Carta da ONU, pedindo à Rússia que acabe com isso agora. A luta da Ucrânia não é apenas uma luta pela sobrevivência, mas uma luta pela democracia e pelos próprios princípios que todos nós prezamos", disse a embaixadora.

"É por isso que apresentaremos uma resolução condenando estes falsos referendos, apelando aos Estados-Membros para que não reconheçam qualquer alteração do estatuto da Ucrânia e obrigando a Rússia a retirar as suas tropas da Ucrânia. Os falsos referendos da Rússia, se aceites, abrirão uma caixa de Pandora que não podemos fechar. Pedimos que se juntem a nós para reafirmar o nosso compromisso com a Carta da ONU e enfrentar esse desafio de frente", apelou Thomas-Greenfield.

Espera-se que a resolução seja amplamente simbólica, uma vez que a Rússia quase certamente a vetará, uma vez que tem poder de veto.

Contudo, a embaixadora norte-americana frisou que tentará levar a votação à Assembleia-Geral da ONU caso a Rússia "escolha blindar-se da sua responsabilização".

As autoridades pró-Rússia nas regiões ucranianas de Zaporijia, Kherson e Lugansk reivindicaram hoje uma vitória do "sim" à anexação pela Rússia, estando ainda a aguardar-se pelos resultados da quarta região ucraniana ocupada pela Federação Russa.

De acordo com autoridades eleitorais instaladas pela Rússia nas quatro regiões, 93,11% dos cidadãos de Zaporijia votaram a favor da anexação à Rússia, após a contagem de 100% dos boletins de voto.

Na região de Kherson, a administração de Moscovo informou que 87,05% dos eleitores votaram a favor do "sim" à anexação, tendo sido também contados todos os votos.

Pouco depois, as autoridades em Lugansk também anunciaram a vitória do "sim", enquanto a contagem na quarta região ucraniana onde também se realizou um "referendo", o Donbass (leste), continua, apesar de as autoridades já terem anunciado que "o sim prevaleceu largamente".

No passado, em 2014, a Rússia já havia usado o resultado de um referendo realizado sob ocupação militar para legitimar a anexação da península ucraniana da Crimeia, no Mar Negro.

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