Covid-19

Elevada mortalidade: o que está a acontecer nos lares da Suécia?

Elevada mortalidade: o que está a acontecer nos lares da Suécia?

"Não conseguimos proteger as pessoas mais vulneráveis, as mais idosas, apesar das nossas melhores intenções", admitiu o primeiro-ministro sueco, Stefan Löfven, na última semana.

A Agência de Saúde Pública da Suécia adiantou à BBC que 48,9% das mortes registadas no país ocorreram em lares de idosos até 14 de maio, inclusive.

A Suécia proibiu visitas a casas de repouso no último dia de março. Mas, como em muitos países europeus, familiares e funcionários mostraram-se preocupados com a chegada tardia dos equipamentos de proteção.

Agora, um número cada vez maior de trabalhadores critica as autoridades de saúde por protocolos que, defendem, desencorajam os trabalhadores em domicílio a enviar residentes para o hospital e impedem que a equipa de enfermagem administre oxigénio sem a aprovação de um médico.

"Disseram-nos para não enviá-los. Foi-nos dito que não devemos mandar ninguém para o hospital, mesmo que eles tenham 65 anos ou mais", confirma Latifa Löfvenberg, uma enfermeira que trabalhava em várias casas de repouso perto de Gävle, norte de Estocolmo, no início da pandemia.

"Alguns até podiam ter muitos anos para viver com os entes queridos, mas não têm hipótese porque nunca chegam ao hospital", desabafa.

Löfvenberg está, agora, a trabalhar numa enfermaria com pacientes que sofrem de covid-19 num grande hospital na capital sueca. A idade dos doentes que a profissional de saúde está a tratar é mais uma prova de que os idosos estão a ser afastados das unidades hospitalares.

Mikael Fjällid, consultor privado sueco em anestesia, diz acreditar que "muitas vidas" poderiam ter sido salvas se mais pacientes tivessem acesso ao tratamento hospitalar ou se os cuidadores em casa tivessem responsabilidades aumentadas em administrar oxigénio por conta própria, em vez de esperar por equipas ou paramédicos especializados em resposta à covid-19.

"Se precisar de cuidados e puder beneficiar deles, por exemplo, necessitar de oxigénio, mesmo que por um curto período de tempo, deve fazê-lo. Como qualquer outra faixa etária da população", realça Fjällid, crítico de direita do governo liderado pela esquerda central.

Em abril, 10.458 pessoas morreram na Suécia, tornando-o o mês mais mortífero do país desde 1993, quando houve um surto de gripe sazonal, informou o Statistics Sweden, financiado pelo estado.

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