Reino Unido

Elogios, críticas e demissões: as reações à eleição de Boris Johnson

Elogios, críticas e demissões: as reações à eleição de Boris Johnson

A União Europeia quer "trabalhar construtivamente" com Boris Johnson, cuja eleição para suceder a Theresa May mereceu elogios de Donald Trump, de Emmanuel Macron e do Irão. Três membros do governo demitiram-se.

Boris Johnson foi declarado vencedor da eleição para a liderança do Partido Conservador com 92.153 votos (cerca de 66%), enquanto o Jeremy Hunt, reuniu 46.656 votos. A taxa de participação ultrapassou os 80%.

A escolha do sucessor de Theresa May, que irá assim liderar o governo britânico, provocou de imediato a anunciada demissão do ministro da Justiça britânico, David Gauke. Também o ministro do Desenvolvimento Internacional e que se candidatou à sucessão de Theresa May, Rory Stewart, anunciou a sua demissão do cargo.

O mesmo fez a secretária de Estado da Educação, Anne Milton, que anunciou a demissão pela sua "grande preocupação" face a um Brexit sem acordo, uma opção admitida por Boris Johnson. Pelo mesmo motivo, o secretário de Estado britânico para a Europa e Américas, Alan Duncan, um persistente crítico de Johnson, apresentou a sua renúncia na segunda-feira.

O líder da oposição, o trabalhista Jeremy Corbyn, criticou a eleição de Boris Johnson como primeiro-ministro por menos de 100 mil pessoas, reivindicando eleições legislativas antecipadas.

"Boris Johnson ganhou o apoio de menos de 100 mil membros do Partido Conservador, não representativos, prometendo cortes de impostos para os mais ricos, apresentando-se como amigo dos banqueiros e pressionando por um prejudicial Brexit sem acordo. Mas ele não ganhou o apoio do nosso país", escreveu na rede social Twitter.

Corbyn receia que uma saída do Reino Unido da União Europeia (UE) sem acordo resulte em despedimentos, inflação e na privatização de partes do serviço nacional de saúde para garantir um acordo comercial com os EUA.

Já a recém-eleita líder dos Liberais Democratas, Jo Swinson, afirmou que "o Reino Unido merece melhor do que Boris Johnson" e que "a sua arrogância em relação ao Brexit só vai piorar a crise".

A líder do Partido Nacionalista Escocês (SNP) e chefe do governo escocês, Nicola Sturgeon, felicitou Boris Johnson e prometeu tentar trabalhar de forma que "respeite e proteja os objetivos e interesses da Escócia". Sturgeon considera "mais importante do que nunca" continuar a preparar o país para um novo referendo à independência, "em vez de ter um futuro (...) imposto por Boris Johnson e os Conservadores".

O apoio de May

A primeira-ministra britânica, Theresa May, prometeu "todo o apoio" para concretizar o Brexit. "Muitos parabéns a Boris Johnson pela eleição para líder dos Conservadores. Agora precisamos trabalhar juntos para entregar um Brexit que funcione para todo o Reino Unido e manter Jeremy Corbyn fora do governo", escreveu na rede social Twitter.

Bruxelas não está preocupada com "figura colorida"

A Comissão Europeia não está preocupada com a chegada de Boris Johnson à liderança do Governo britânico, garantiu o vice-presidente Frans Timmermans, recordando que o acordo do Brexit firmado entre Theresa May e Bruxelas é "o melhor possível".

"A política mundial está repleta de figuras 'coloridas' hoje em dia. Se não souberes lidar com elas, não há muito que possas fazer. A melhor solução é manter a nossa posição, de que este é o melhor acordo possível", respondeu o primeiro vice-presidente do executivo comunitário quando questionado sobre se a Comissão estava apreensiva com a eleição de Boris Johnson.

No mesmo sentido, a presidente eleita da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, desejou manter uma "boa relação de trabalho" com o próximo primeiro-ministro britânico, Boris Johnson. Numa conferência de imprensa, em Paris, salientou ainda os "futuros desafios" que terá de debater com Londres, referindo-se ao Brexit e também às tensões com o Irão. "Temos a obrigação de conseguir algo que seja bom para a Europa e o Reino Unido", disse.

"O presidente da Comissão Europeia [Jean-Claude Juncker] pediu-me que transmitisse as suas felicitações ao senhor Boris Johnson. O presidente quer trabalhar com o primeiro-ministro da melhor maneira possível", declarou a porta-voz da Comissão Europeia, Natasha Bertaud.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, felicitou o novo líder do partido Conservador. "Parabéns a Boris Johnson por se tornar o novo primeiro-ministro do Reino Unido. Ele será ótimo!", escreveu Trump na sua conta da rede social Twitter.

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Mohamad Javad Zarif, também felicitou Boris Johnson pela sua eleição como primeiro-ministro britânico, mas alertou que o Irão defenderá as suas águas no Golfo Pérsico.

"Temos 1500 milhas [mais de 2400 quilómetros] de costa no Golfo Pérsico. Essas são as nossas águas e vamos protegê-las", salientou o chefe da diplomacia iraniana na sua conta da rede social Twitter. "O Irão não procura conflitos", mas a decisão do Governo de Theresa May em apreender o petroleiro iraniano Grace One ao largo de Gibraltar "sob ordem [dos Estados Unidos] é uma pirataria pura e simples", acrescentou.

A tensão entre o Irão e o Reino Unido aumentou desde a captura, na sexta-feira passada, de um navio-tanque britânico no Estreito de Ormuz pela Guarda Revolucionária Iraniana.

Macron destaca coragem e dignidade de May

O presidente da França, Emmanuel Macron, mostrou-se "muito desejoso em trabalhar" com o próximo primeiro-ministro do Reino Unido.

"Felicito calorosamente Boris Johnson" e "vou falar-lhe assim que seja designado oficialmente primeiro-ministro", disse Macron, durante uma conferência de imprensa conjunta com a nova presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, no palácio presidencial do Eliseu.

"Estou muito desejoso de poder trabalhar o mais rápido possível com ele, não apenas nas questões europeias, que são as nossas, na continuação das negociações do Brexit, mas também nas questões internacionais que compõem as nossas vidas diárias e nas quais somos estreitamente coordenados com os britânicos e os alemães", acrescentou, citando o Irão em particular.

Antes de felicitar Johnson, o chefe de Estado francês prestou homenagem à primeira-ministra britânica, Theresa May, que deverá deixar o seu cargo na quarta-feira.

"Ela tomou posse das suas funções num contexto difícil após o referendo (sobre o Brexit) e trabalhou connosco com grande coragem e dignidade por todos esses anos. Ela jamais bloqueou o funcionamento da União Europeia e tentou servir os interesses britânicos da melhor forma possível", disse.

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