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Embaló demite Governo e tropa ocupa instituições na Guiné-Bissau

Embaló demite Governo e tropa ocupa instituições na Guiné-Bissau

A crise política guineense agravou-se ainda mais ontem, lançando o país na maior confusão e incerteza . O candidato às presidenciais dado como vencedor, Umaro Sissoco Embaló, que anteontem tomou "simbolicamente posse" como presidente, demitiu o primeiro-ministro, Aristides Gomes, nomeando para o lugar o primeiro vice-presidente do Parlamento, Nuno Nabian, aparentemente apoiado pelas Forças Armadas.

Depois, o presidente do Assembleia Nacional Popular, Cipriano Cassamá, tomou posse como presidente interino, numa sessão no Parlamento. A posse foi conferida pela deputada Dan Ialá, primeira secretária da mesa do Parlamento, invocando a Constituição guineense, que prevê que, havendo vacatura na chefia do Estado, o cargo é ocupado pelo presidente da Assembleia, segunda figura do Estado. Teria assistido os diplomatas acreditados no país.

Embaló, que se fez "empossar" sem que o Supremo Tribunal de Justiça tenha decidido sobre o recurso do candidato dado como derrotado, Domingos Simões Pereira, justificou a demissão de Aristides Gomes com "atuação grave e inapropriada", de convocar o corpo diplomático acreditado em Bissau, induzindo-o a não comparecer na posse e a "apelar à guerra e sublevação".

"crise artificial"

O "decreto presidencial" atribuí a "crise artificial pós-eleitoral" ao "partido PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde) e o seu candidato às eleições presidenciais, que põe em causa o normal funcionamento das instituições da República".

A crise está também "consubstanciada nas declarações públicas de desacato e não reconhecimento da legitimidade e autoridade" do chefe de Estado "eleito democraticamente, por sufrágio livre, universal, secreto, considerado pelo conjunto de observadores internacionais livre, justo e transparente e confirmado quatro vezes pela Comissão Nacional de Eleições".

Horas antes, a CNE assegurou que "cumpriu a sua missão com objetividade e isenção", sustentando que os documentos, que a candidatura de Simões diz não existirem, incluem os resultados apurados, reclamações, protestos e contraprotestos e as decisões tomadas e que estão validados com a assinatura de representantes das candidaturas e do Ministério Público.

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Pouco depois de "demitido", Aristides Gomes denunciou, no Twitter, que as instituições do Estado estavam a ser invadidas por militares, num "ato de consumação do golpe de Estado iniciado ontem (quinta-feira) com a investidura" de Embaló.

Segundo a agência Lusa, militares retiraram os funcionários da rádio e da televisão públicas e ordenaram a suspensão das emissões, o que indicia a participação de elementos das Forças Armadas no golpe. O PAIGC, maioritário na Assembleia Nacional Popular e que surportava o Governo, assegurou no Twitter que "a democracia irá prevalecer", apelando: "Devemos manter a serenidade e vigilância".

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