COP26

Emissões de 1% dos mais ricos do mundo excedem 30 vezes o limite de 1,5ºC

Emissões de 1% dos mais ricos do mundo excedem 30 vezes o limite de 1,5ºC

As emissões de carbono do grupo populacional que constitui o 1% mais rico do mundo excedem em 30 vezes o limite de 1,5°C proposto para 2030, apurou um estudo da Oxfam.

Ao mesmo tempo, a pegada climática dos 50% mais pobres deve manter-se bem abaixo desse limite, segundo a pesquisa divulgada pela Oxfam na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP26), que decorre em Glasgow, na Escócia, até 12 de novembro.

O estudo, intitulado "Desigualdade de Carbono em 2030 - emissões de consumo per capita e a meta de 1,5°C", foi encomendado pela Oxfam e baseou-se em trabalhos do Instituto de Política Ambiental Europeia (IEEP) e Instituto Ambiental de Estocolmo (SEI).

Na investigação estimou-se como as promessas dos governos vão afetar as pegadas de carbono das pessoas mais ricas e mais pobres em todo o mundo, colocando-se a população mundial e todos os grupos de rendimento como se fossem um único país.

O Acordo de Paris, de 2015, fixou o objetivo de limitar o aumento do aquecimento global em 1,5°C, em relação à era pré-industrial, mas as atuais promessas de reduzir as emissões estão muito aquém do necessário, refere o texto da Oxfam.

Para cumprir este limite, cada habitante do planeta teria que emitir uma média de apenas 2,3 toneladas de dióxido de carbono (Co2) por ano até 2030, o que representa cerca de metade das emissões atuais de cada pessoa.

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As principais conclusões do estudo apontam para que, em 2030, a metade mais pobre da população mundial vai continuar a emitir bem menos do que o nível proposto de 1,5°C.

Pelo contrário, 1% dos mais ricos deve emitir 30 vezes mais do que o nível de 1,5°C proposto.

Se se considerarem as emissões totais globais, em vez das emissões "per capita", o 1% mais rico do mundo - menos pessoas que a população da Alemanha - deve ser responsável por 16% do total de emissões globais em 2030, acima dos 13% de 1990 e 15% de 2015.

Na opinião de Nafkote Dabi, responsável pela área de Política Climática da Oxfam, "uma pequena elite parece ter um passe livre para poluir".

As emissões desta elite "estão a alimentar a crise climática em todo o mundo e a colocar em risco a meta internacional de limitar o aquecimento global", alerta.

E previu ainda: "As emissões dos 10% mais ricos do mundo podem colocar-nos acima da meta estabelecida para 2030. Isso terá resultados catastróficos para as pessoas em situação de maior vulnerabilidade no mundo, que já enfrentam tempestades, fome e destituição".

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