Covid-19

Empresas norte-americanas fazem pressão para garantir vacinas em primeiro lugar

Empresas norte-americanas fazem pressão para garantir vacinas em primeiro lugar

Empresas dos mais variados setores nos Estados Unidos da América, incluindo gigantes como a Uber, a Wallmart e a Amazon, estão a fazer lóbi com os Estados e o Governo Federal para que os seus trabalhadores sejam incluídos na próxima ronda de vacinação contra a covid-19.

Após a imunização dos profissionais de saúde da linha de frente e dos idosos institucionalizados, os EUA deverão começar a fazer chegar, em dois meses, a vacina à comunidade para cobrir os designados "trabalhadores essenciais", por todo o território.

As mais variadas empresas no país recorrem agora aos mais diversos argumentos para pressionar as autoridades na priorização dos seus funcionários na próxima fase. A estes juntam-se associações comerciais e industriais e os sindicatos. A pressão é transversal a quase todos os setores de atividade. Já morreram mais de 310 mil pessoas devido à covid-19 nos EUA.

Um painel consultivo para a vacinação do Centro de Controle e Prevenção de Doenças fez, este domingo, uma nova recomendação no sentido de se priorizar, na segunda fase de vacinação contra o novo coronavírus, as equipas de emergência, os trabalhadores de supermercados, os professores, os funcionários de creches, os adultos com 75 anos ou mais anos, entre outros grupos mais expostos que não podem trabalhar remotamente. São cerca de 30 milhões de "trabalhadores essenciais da linha de frente", refere o "The New York Times". A estes deve seguir-se outra bateria de trabalhadores essenciais, como os da restauração, da construção e do direito, e mais idosos.

Estas recomendações visam apenas orientar os Estados quanto à definição da ordem na administração das vacinas da Pfizer-BioNTech e da Moderna, visto que não haverá doses suficientes para vacinar toda a gente durante meses. Contudo, o poder continua do lado dos governadores, visto que cada Estado estabelece o seu próprio plano de vacinação e as suas prioridades.

É neste contexto que os lóbistas já começaram a atuar, entrando numa grande competição para que os trabalhadores das suas empresas sejam considerados grupos essenciais nos planos de vacinação. O governador de Nova Iorque, Andrew Mark Cuomo, disse e reiterou na semana passada que o seu Governo não será influenciado por grupos de interesse.

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O Governo federal norte-americano estima que o número de trabalhadores essenciais, nos dois momentos, ronde os 87 milhões, espalhados por dezenas de setores de atividade, segundo o diário "The Washington Post". "A lista do Governo é tão ampla que inclui desde meteorologistas até operadores de campos de tiro", diz o jornal.

Entre as empresas assiste-se a um "apetite voraz" pela vacinação dos seus funcionários, relata Jonathan Slotkin, diretor clínico da Contigo Health, que lidera parcerias entre grandes empresas e os sistemas hospitalares. "É quase como uma luta de luta livre, onde muitos interesses querem deixar claro que as pessoas que eles representam têm muitos trabalhadores essenciais", aponta.

Alguns especialistas em política temem que a competição pelas vacinas favoreça as empresas mais ricas, com as equipas de lóbi mais fortes a atuar nas capitais dos Estados, o que poderá prejudicar as firmas mais pequenas, alerta o "The Washington Post".

Policias, bombeiros, trabalhadores de transportes públicos e professores estarão no topo da maioria das listas dos Estados. Porém, os Estados estão divididos relativamente aos grupos que se devem juntar a estes na toma da vacina, no sentido de controlarem a pandemia e recuperarem as economias locais.

As cadeias de supermercados, indústrias de frio, entre outras do setor alimentar estão a exigir constar na segunda linha da vacinação, considerando que os seus trabalhadores estão mais expostos ao risco de contágio. A Wallmart, que é um dos maiores empregadores privados do EUA, quer distribuir vacinas pelos seus funcionários e até está a fornecer equipamento e gelo seco às suas farmácias para que estas possam armazenar as doses de vacinas, anunciou em comunicado o médico da empresa, Tom Van Gilder.

Numa carta enviada aos governadores de todos os 50 Estados norte-americanos, o presidente-executivo da Uber, Dara Khosrowshahi, disse relativamente aos motoristas da empresa: "Quero garantir que esses indivíduos possam receber a imunização de forma rápida, fácil e gratuita e ofereço a ajuda da Uber para tornar isso uma realidade".

Também o setor financeiro está a reivindicar o mesmo tratamento no acesso à vacina, com a American Bankers Association a pressionar o Governo para que priorize os funcionários dos bancos no atendimento ao público e com a Bolsa de Valores de Nova Iorque a lembrar que os seus operadores trabalham numa área comum.

Também no turismo a pressão é grande, sustenta o jornal. Na Flórida, por exemplo, a Associação de Restaurantes e Hospedagem da Flórida e até a Disney estão a pressionar para garantir as vacinas, argumentando com a necessidade do setor voltar ao normal e recuperar o emprego.

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