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Empresas pagam despesas a funcionárias que queiram abortar noutros estados

Empresas pagam despesas a funcionárias que queiram abortar noutros estados

Depois de a decisão do processo "Roe vs Wade", que consagrava o direito ao aborto, ter sido revogada pelo Supremo Tribunal dos Estados Unidos (EUA) na sexta-feira, algumas empresas norte-americanas anunciaram que vão garantir ajudas às colaboradoras que tenham de se deslocar para outros estados para conseguir abortar.

Disney, JP Morgan, Levi Strauss, Netflix e Microsoft são algumas das empresas que disseram aos funcionários que iriam cobrir as despesas das deslocações para realizar um aborto depois de a decisão do Supremo Tribunal dos EUA de revogar a lei "Roe vs Wade". "Reconhecemos o impacto da decisão e continuamos empenhados em proporcionar um acesso abrangente a cuidados de qualidade e a preços acessíveis a todos os nossos colaboradores e as suas famílias, incluindo planeamento familiar e cuidados reprodutivos, independentemente do local onde vivam", afirmou a Disney, em comunicado.

Em comunicado, a Levi Strauss também já veio garantir que vai proteger os direitos à saúde dos funcionários. "Opomo-nos veementemente a quaisquer ações que impeçam a saúde e o bem-estar dos nossos colaboradores, o que significa que nos opomos a quaisquer medidas que restrinjam o acesso a todo o género de cuidados de saúde reprodutiva, incluindo o aborto", disse Strauss, em comunicado.

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O gigante bancário JP Morgan também disse aos funcionários norte-americanos que a empresa iria cobrir as despesas de viagens para serviços médicos, incluindo "abortos legais". "Estamos focados na saúde e no bem-estar dos nossos colaboradores e queremos garantir um acesso equitativo a todos os benefícios", garantiu um porta-voz do banco na sexta-feira, citado pela "BBC".

Outro dos principais bancos de investimento norte-americanos, o Goldman Sachs, também afirmou que cobriria as despesas das viagens às funcionárias que precisassem de ir para outro estado para fazer um aborto, a partir de 1 de julho, de acordo com a agência de notícias "Reuters".

A Meta, empresa de redes sociais, disse que pretendia reembolsar as despesas com as viagens aos trabalhadores que "necessitem de acesso a cuidados de saúde fora do estado", mas afirma que ainda está a avaliar "a melhor forma de o fazer, dadas as complexidades jurídicas envolvidas", de acordo com a "BBC".

As empresas de transporte Uber e Lyft não ficam de fora nas ajudas às funcionárias. O mesmo se pode dizer da multinacional norte-americana Amazon, que já tinha dito, ainda antes da decisão do Supremo Tribunal, que iria reembolsar às colaboradoras que viajam para outro estado para contornar as restrições locais do aborto.

Citada pelo jornal "The Guardian", Jen Stark, codiretora do "Center for Business and Social Justice" (Centro de Negócios e Justiça Social), afirmou que a decisão do Supremo Tribunal foi "profundamente desestabilizadora" para as empresas e para os seus colaboradores e que a situação provavelmente irá piorar. "A queda da Roe é apenas o início do fim. Veremos políticas públicas mais extremas, infelizmente, ao nível do Estado, e políticas ainda mais extremas se houver uma vontade a nível federal", disse Stark.

Ameaças às empresas

Os legisladores republicanos já estão a ameaçar empresas que disseram que vão oferecer ajuda aos colaboradores para conseguirem realizar um aborto. Depois de a Citigroup, a maior empresa no ramo dos serviços financeiros do mundo, ter revelado que daria apoios para as viagens às funcionárias, os conservadores no Congresso pediram aos administradores da Câmara e do Senado que cancelassem o seu contrato com a empresa.

A Disney está também em confrontos com Ron DeSantis, governador da Flórida e um potencial candidato presidencial republicano, sobre a sua lei "Don't Say Gay" ("Não Diga Gay", na tradução direta), que proíbe os professores de ensinarem sobre orientação sexual ou identidade de género.

Os juristas já afirmaram que a decisão de sexta-feira pode abrir caminho a ataques a outros direitos, nomeadamente o casamento entre pessoas do mesmo sexo, numa altura em que as empresas enfrentam represálias republicanas por apoiarem a comunidade LGBT+.

Num risco maior estão as pessoas que não trabalham para uma grande empresa, que podem ver o acesso ao aborto ainda mais dificultado devido à ausência de apoios.

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