O Jogo ao Vivo

Exclusivo

Energia nuclear: "Garantia em cenário de guerra? Não há!"

Energia nuclear: "Garantia em cenário de guerra? Não há!"

João Peças Lopes, professor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, diretor associado do INESC TEC e estudioso da matéria, contesta o nuclear e aponta-lhe os perigos. Diz que a energia do átomo não serve a Portugal e que o futuro são as renováveis.

Que risco representa Zaporíjia?

Normalmente, numa central nuclear não há o risco de explodir, como uma bomba atómica. O problema é a fissão do núcleo, que pode libertar substâncias radioativas, que vão para a atmosfera e que depois os ventos se encarregam de dispersar, com impactes brutais a quilómetros e quilómetros de distância. Por isso, é fundamental para uma central nuclear ter sempre energia que permita a circulação do fluído da refrigeração do reator, que garanta a extração do calor que resulta da reação nuclear. O ponto crítico é sempre este: é preciso garantir que a temperatura do núcleo se mantém dentro de valores aceitáveis e que nunca conduzam a uma situação de fusão, como ocorreu nos Estados Unidos, na central de Three Mile Island, depois em Chernobyl e Fukushima. Em todas estas situações o problema foi o de haver o risco de fusão do reator nuclear e no limite o reator fundir e enterrar-se pela terra dentro, libertando uma quantidade louca de materiais radioativos. Em Fukushima, o problema foi também gravíssimo, porque o tsunami, além de inundar a central também cortou a rede elétrica. Os próprios grupos diesel, os grupos de socorro que permitem o fornecimento de energia elétrica para manter os circuitos de refrigeração, ficaram fora de serviço.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG