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Entre bombas e ciberataques, Internet sobrevive na Ucrânia

Entre bombas e ciberataques, Internet sobrevive na Ucrânia

Tentativas russas de destabilizar a rede ucraniana não têm tido o sucesso esperado. País tem contado com o apoio do serviço Starlink, criado pela SpaceX, empresa de Elon Musk.

Um dos maiores trunfos da guerra na Ucrânia tem sido a Internet. Através dos meios de comunicação e das redes sociais, tanto os ucranianos como a população de todo o Mundo conseguem manter-se atualizados sobre o que se está a passar no campo de batalha, o que tem contribuído para a criação de uma onda de apoio mundial. Mas com tanta destruição e a execução de múltiplos ataques informáticos, de que forma é que a Internet se tem mantido ativa?

Além da infraestrutura física que compõe a Internet na Ucrânia ser bem desenvolvida, especialistas em cibersegurança apontam que os ataques arquitetados por Moscovo foram menos destrutivos do que aquilo que se esperava, não tendo tido impacto suficiente para desconectar o país em larga escala. Uma das justificações para as investidas com menos efeitos negativos pode estar no facto do regime russo acreditar que conseguiria dominar a Ucrânia em poucos dias, podendo assim tirar partido do bom funcionamento das redes instaladas no país, mas a estratégia militar ucraniana tem conseguido manter algum controlo no terreno.

Embora os ciberataques atribuídos à Rússia sejam muito frequentes, as ligações têm sido mantidas através do trabalho resiliente dos engenheiros ucranianos, que segundo a "Forbes", arriscam a própria vida para manter o acesso às redes possível.

O Governo ucraniano descreve os técnicos como "heróis ocultos" da guerra, que já dura há 35 dias, salientando que os especialistas "trabalham 24 horas por dia para manter a disponibilidade destes serviços", disse o ministro da Transformação Digital ucraniano, Mykhailo Fedorov, citado pelo jornal norte-americano "The Washington Post".

O funcionamento do serviço também tem sido assegurado pelos milhares de terminais Starlink que foram enviados para a Ucrânia, e que se comunicam em órbita. No entanto, quando o equipamento chegou ao país, Elon Musk, presidente executivo da SpaceX, alertou que o Starlink deveria ser ligado "apenas quando necessário" e a antena colocada "o mais longe possível das pessoas", já que este serviço é comercializado como "idealmente adequado" para áreas onde o acesso à Internet não é fiável ou está indisponível.

Geralmente, o serviço de satélite não é tão rápido como as ligações de Internet térreas, mas tem-se mostrado uma opção útil, sendo que tanto civis como militares ucranianos o estão a usar, o que levou a um agradecimento por parte do Executivo ucraniano a Musk.

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Ainda assim, há zonas mais afetadas do que outras, e onde a população que ainda permanece no país encontra grande dificuldade em conectar-se. Mariupol, uma das cidades mais massacradas pelas tropas do Kremlin, ficou sem ligação à Internet e, devido aos constantes bombardeamentos, tem sido quase impossível restabelecer as ligações.

Ciberataque mais grave

A maior empresa estatal de telecomunicações da Ucrânia, a Ukrtelecom, foi alvo do maior ciberataque de que há registo desde que a Rússia invadiu o país. O ataque ocorreu na segunda-feira e, segundo Yurii Shchyhol, presidente do Serviço Estatal de Comunicações Especiais de Proteção da Informação da Ucrânia, a responsabilidade recai sobre "o inimigo", referindo-se ao Kremlin.

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