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"Epidemia de violência" em Londres matou 30 adolescentes só em 2021

"Epidemia de violência" em Londres matou 30 adolescentes só em 2021

O esfaqueamento fatal de um rapaz de 16 anos, na quinta-feira à noite, foi a 30.ª morte de um adolescente em Londres só este ano. Os média locais falam numa "epidemia de violência" que está a bater recordes e já ultrapassou o pico atingido em 2008, quando morreram 29 jovens nas mãos de criminosos.

O crime de quinta-feira aconteceu um dia depois de um rapaz de 15 anos ter sido esfaqueado num parque infantil de Ashburton, em Croydon, em plena luz do dia. Mas os homicídios em Londres ocorreram durante todo o ano de 2021.

O filho de 15 anos de Hawa Haragakizam, Tamim, foi esfaqueado até à morte em Woolwich, no sul de Londres, no verão, quando regressava da escola. "O que está o governo a fazer? O que é que as pessoas estão a fazer? Será que vamos normalizar este comportamento monstruoso?", questionou a mãe do adolescente ao jornal inglês "The Independent". Acrescentando ainda que os amigos de Tamim têm precisado de acompanhamento desde a sua morte.

Shaun Patterson, de 16 anos, foi assassinado à facada em fevereiro. Para o pai, Drekwon, as ruas não são seguras para os mais novos. "Algo não está certo se há tantas mortes nas ruas", admitiu. "Quando há um homicídio não vejo notícias de primeira página (...) 30 pessoas morreram este ano e nada está a ser feito", rematou, citado pelo mesmo jornal. Estima-se que os incidentes com armas brancas acontecem pelo menos três vezes por semana, número que poderia ser mais elevado sem a ação das autoridades, garante a polícia inglesa.

O comandante Alex Murray, líder da Polícia Metropolitana inglesa, admitiu ao "The Independent" que embora tivesse havido um declínio nos crimes com facas e armas em 2021, mais tinha de ser feito para aumentar a confiança nas comunidades mais afetadas pelo crime, considerando ainda os cortes policiais, as redes sociais, as drogas e a pobreza como fatores cruciais para o aumento da violência.

Já o diretor da instituição de caridade "Power the Fight", Ben Lindsay, alertou que o atual recorde de violência juvenil é o resultado de 15 anos de cortes nos serviços e no policiamento. Acrescentando que a pandemia criou a "tempestade perfeita" para a violência.

"Se perguntar a qualquer profissional a trabalhar neste campo, entre 2010 e agora, eles dirão que estamos a avançar para um caminho onde não vamos conseguir controlar esta situação, porque os jovens não recebem o apoio e os recursos que estas instituições de apoio tinham estão a ser despojados", confessou Ben Lindsay.

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Dos 30 adolescentes que morreram, 27 foram esfaqueados, dois foram alvejados e um morreu na sequência de um incêndio com origem criminosa. Por outro lado, mais de 40 adolescentes foram acusados de homicídio durante 2021, de acordo com a "BBC".

Numa declaração, o Presidente da Câmara de Londres, Sadiq Khan, garantiu que a segurança dos londrinos será sempre a sua prioridade número um, revelando ainda que está a "a investir valores recorde no policiamento para colocar mais agentes nas ruas".

"Recuso-me a aceitar que a perda de vidas jovens é inevitável e continuarei a ser implacável na tomada de medidas corajosas necessárias para pôr fim à violência na nossa cidade", confessou.

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