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Erros de teste à covid-19 na China facilitados por acordos secretos

Erros de teste à covid-19 na China facilitados por acordos secretos

O Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da China concedeu os direitos de design e distribuição de kits de teste para a covid-19 a três empresas "obscuras" de Xangai, com as quais os funcionários tinham laços pessoais. Estes favorecimentos, aliados à escassez generalizada de testes, facilitaram a disseminação da pandemia.

De acordo com a agência Associated Press (AP), os contratos feitos pelo Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CCPD) foram feitos dentro de uma rede secreta e clandestina que, silenciosamente, floresceu num sistema de saúde pública subfinanciado.

A agência de notícias baseou a investigação em entrevistas com mais de 40 médicos, funcionários do CCPD, especialistas em saúde, e membros da indústria, bem como centenas de documentos internos, contratos, mensagens e emails.

As empresas de Xangai - GeneoDx Biotech, Huirui Biotechnology e BioGerm Medical Technology - terão pagado pelas informações e pelos direitos de distribuição um milhão de Renminbis, cerca de 125 mil euros cada, disseram à AP fontes que preferiram manter o anonimato.

O CCPD e a Comissão Nacional de Saúde chinesa tentaram impedir que outros cientistas e organizações testassem o vírus com os seus próprios kits. A Comissão Nacional de Saúde, ao contrário do que havia acontecido com outras duas pandemias, disse aos hospitais de Wuhan para enviar amostras de vírus apenas para laboratórios centrais sob sua autoridade.

Além disso, tornou os requisitos de teste para confirmar casos de coronavírus muito mais complicados e endossou apenas kits de teste feitos pelas empresas de Xangai.

Essas medidas contribuíram para que nenhum novo caso fosse relatado pelas autoridades chinesas entre 5 e 17 de janeiro, embora dados retrospetivos de infeção mostrem que centenas de pessoas foram infetadas nesse período.

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Quando os testes das três empresas começaram a chegar, muitos não funcionavam corretamente, apresentando resultados inconclusivos ou falsos negativos, explica a AP.

Com poucos e defeituosos kits, apenas uma em cada 19 pessoas infectadas em Wuhan foi testada e deu positivo até 31 de janeiro, de acordo com uma estimativa do Imperial College London. Outros, sem testes ou com falsos negativos, foram mandados para casa, onde poderiam espalhar o vírus.

O sistema de testes com falhas, que impediu que os cientistas percebessem a que velocidade o vírus se espalhava, a demora dos principais líderes chineses a alertar o público e a ocultação de informações da Organização Mundial da Saúde facilitaram a propagação do vírus por Wuhan e pelo Mundo sem ser detetado.

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