Detenção

Milionário indiano detido por ser líder de rede de porno que coagia mulheres

Milionário indiano detido por ser líder de rede de porno que coagia mulheres

Raj Kundra é um dos empresários mais bem-sucedidos da Índia, mas nos últimos dias tem sido notícia após ser preso por suspeita de produzir e distribuir filmes pornográficos produzidos com recurso a coação.

Nasceu em Londres, Inglaterra, e tem dupla nacionalidade britânica e indiana. Aos 45 anos, Raj Kundra é um dos empresários mais bem sucedidos da Índia e dono de uma equipa de críquete da primeira liga indiana, o campeonato mais rico do mundo da modalidade. Está casado desde 2009 com Shilpa Shetty, de 46, uma reconhecida atriz de Bollywood e vencedora do Big Brother Celebridades britânico em 2007.

Está agora envolvido num escândalo que saltou para as primeiras páginas da imprensa depois de ter sido detido por suspeita de produzir e distribuir filmes pornográficos online. A polícia acredita que Raj Kundra é o mentor de uma rede de produção porno que coagiu várias mulheres a participar em vídeos de sexo que foram depois divulgados na internet.

Raj Kundra foi detido na sua residência, em Bombaim, na terça-feira (20 de julho), acusado de fraude, venda de conteúdo obsceno e "anúncios e exibições obscenos e indecentes".

O marido de Shilpa Shetty negou qualquer irregularidade e o seu advogado, Abad Ponda, afirmou que a detenção do seu cliente é ilegal.

Coação e denúncia anónima

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Até agora foram detidas nove pessoas no âmbito desta investigação, que foi lançada em fevereiro, refere a BBC.

De acordo com a polícia, os detidos fizeram falsas promessas para atrair mulheres, através de anúncios à procura de atrizes para participarem em curtas-metragens e séries online.

Esses vídeos terão sido gravados em casas alugados e foram depois descarregados em aplicações móveis para cerca de 400 mil assinantes, que pagam entre 200 e 400 rupias (2,30 e 4,50 euros) por mês. Raj Kundra, segundo os investigadores, é o dono de uma empresa que exibia vídeos pornográficos nessas plataformas.

Foi após uma denúncia anónima que vários agentes da polícia entraram, a 6 de fevereiro, numa casa alugada onde decorria a gravação de um vídeo porno, nos arredores de Bombaim.

Os agentes encontraram duas pessoas despidas num colchão em "poses obscenas" a serem filmadas. Foram apreendidos telemóveis, computadores e câmaras de filmar. Cinco suspeitos foram detidos e uma mulher, que as autoridades dizem que estava a ser filmada sob coação, foi resgatada. Foi o início da investigação que levou outras mulheres a apresentarem queixa por alegadamente terem sido forçadas a participar em vídeos de sexo.

Empresa em Londres para contornar a lei

As autoridades salientam as duas vertentes desta investigação: deter aqueles que produzem os filmes porno e aqueles que os divulgam.

Uma das empresas investigadas é a Kenrin, com sede no Reino Unido. Kaj Kundra terá vendido uma aplicação pornográfica chamada Hot Shots à Kenrin para escapar às restrições da lei indiana. Esta app chegou a estar disponível na App Store da Apple e Google Play até ser removida no ano passado devido a queixas.

"Apesar de a Kenrin ter sede em Londres, a criação de conteúdos, operações e gestão são da responsabilidade da empresa de [Kaj] Kundra chamada Viaan", explicou o comissário Milind Bharambe, da equipa de investigação criminal.

Os escritórios da Viaan, em Bombaim, também foram alvo de buscas na terça-feira, tendo sido apreendidos filmes pornográficos, emails, conversas por Whatsapp e documentos relacionados com a atividade.

De acordo com a lei indiana, publicar ou transmitir material "obsceno", incluindo pornografia, é ilegal e punível com pena de prisão até sete anos.

No entanto, os indianos estarão entre os principais consumidores de pornografia online, surgindo em terceiro lugar numa lista de países publicada pela Pornhub, a maior plataforma mundial de partilha de vídeos pornográficos online, depois dos Estados Unidos e do Reino Unido.

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