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Escolas do Reino Unido acusadas de perpetuar "cultura da violação"

Escolas do Reino Unido acusadas de perpetuar "cultura da violação"

Milhares de depoimentos anónimos publicados no site "Everyone's Invited" colocaram em cheque várias escolas do Reino Unido, a maioria privadas, por falharem na proteção dos alunos e perpetuarem uma "cultura de violação". O caso já chegou às autoridades, que estão a tentar validar as denúncias. O Departamento da Educação do Governo britânico avisou, que caso se confirmem as acusações, os estabelecimentos vão enfrentar sanções severas, incluindo o encerramento.

Em pouco menos de um mês, o Reino Unido volta a estar mergulhado numa nova polémica relacionada com misoginia, assédio e agressão sexual. A 3 de março, Sarah Everard, uma mulher de 33 anos foi dada como desaparecida, quando caminhava a pé para casa à noite, no sul de Londres. Foi depois encontrada morta numa área florestal. Agora, no final deste mês, o site "Everyone's Invited" ("Todos Estão Convidados", em português) reuniu milhares de depoimentos, eram mais de 6500 na tarde deste domingo, onde escolas são acusadas de perpetuar uma "cultura da violação".

Mais de 100 estabelecimentos são referidos nos textos não assinados, em que são descritos vários crimes de "misoginia, assédio, abuso e agressão". Embora a maior parte das escolas mencionadas sejam privadas, a Polícia Metropolitana de Londres salientou este fim de semana que estabelecimentos públicos estão também presentes nos depoimentos. A superintendente Mel Laremore referiu mesmo à imprensa britânica que este é um "assunto nacional".

Por agora, as autoridades estão a rever todos os testemunhos publicados no "Everyone's Invited". O objetivo da polícia é tentar que os casos sejam oficialmente denunciados e não se fiquem pelo anonimato. "Nós levamos as alegações de assédio sexual muito a sério. Compreendemos a complexidade de razões porque muitas vítimas não contactam a polícia, mas quero dizer-vos que se precisam da nossa ajuda, nós estamos aqui para vocês", disse Mel Laremore, em declarações à comunicação social.

O site contra a "cultura da violação" foi criado por Soma Sara, uma rapariga de 22 anos que denuncia desde junho de 2020 várias histórias de agressão sexual, na sua página de Instagram. Quando a conta na rede social se tornou "pequena" para tantos testemunhos, Sara decidiu dar voz às vítimas numa página da Internet. Consciente de que sem nomes, pouco se faz, a jovem colocou agora um link no site que remete para a Polícia Metropolitana de Londres.

Enquanto algumas das escolas acusadas têm já investigações em curso, como a Highgate School, no norte de Londres, o Governo britânico através do Departamento de Educação garantiu ao jornal "The Guardian" que, se "uma escola não está a cumprir os padrões de proteção exigidos", vai ter de melhorar ou fechar.

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Nem a propósito da polémica, um relatório de uma comissão liderada pelo ex-secretário do Interior, Sajid Javid, e divulgado recentemente, dá conta de uma "epidemia de abuso sexual infantil no Reino Unido", escreve o "The Guardian".

Um porta-voz do Governo afirmou ao mesmo jornal, perante os depoimentos de abusos, que o Ministério do Interior, a polícia e o Departamento da Educação estão disponíveis para dar "apoio, proteção e aconselhamento" às vítimas e apurar as devidas responsabilidades.

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