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Escolha de Annalena para chanceler empurra Verdes alemães para a vitória

Escolha de Annalena para chanceler empurra Verdes alemães para a vitória

Os Verdes estão na frente da corrida às eleições alemãs de setembro. A escolha de Annalena Baerbock como candidata à chancelaria atirou os ecologistas para a liderança nas sondagens (26%), ultrapassando os conservadores da CDU (25%), que apostam em Armin Laschet como substituto de Angela Merkel.

É uma inversão histórica a que regista o "Politbarometer" (barómetro político) da ZDF, a televisão pública alemã. No espaço de pouco mais de duas semanas, a União (como é designada a aliança da CDU com a CSU bávara) e os Verdes trocaram de lugar. Os ecologistas estão agora em primeiro, com uma subida de cinco pontos de abril para maio, enquanto os conservadores ficam em segundo, devido a uma quebra de seis pontos.

A melhor explicação para esta ultrapassagem estará na indicação dos candidatos a chanceler (chefe de Governo alemão), ou seja, da personagem que se propõe substituir Angela Merkel, ao fim de 16 anos de reinado. Foi entre as duas últimas vagas do barómetro que os Verdes optaram pela "centrista" Annalena Baerbock, enquanto os conservadores confirmavam Armin Laschet, um político com fama de ser um conciliador, mas com baixos índices de popularidade.

A centrista e o católico

Eleita para o Bundestag (o Parlamento alemão) em 2013 e colíder dos Verdes desde 2018, Baerbock, de 40 anos, teve um papel fundamental para acabar com a eterna divisão entre as fações "fundamentalistas" e "realistas". O seu centrismo parece render votos entre um eleitorado tendencialmente mais conservador, sobretudo nos estados ocidentais. E isso reflete-se na projeção eleitoral do partido e na sua avaliação pessoal: 43% dos alemães dizem que é uma candidata adequada à chancelaria (em abril, antes da nomeação, eram 23%).

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O atual líder do Estado da Renânia do Norte-Vestefália, o mais populoso da Alemanha, também está em crescendo a nível nacional, mas continua atrás da ecologista: 37% consideram Laschet um candidato adequado (eram 29% em abril). Ainda assim, este católico de 60 anos, tem pelo menos uma vantagem sobre a principal rival. São mais os que respondem que gostariam de ter um Governo liderado pela CDU/CSU (50%) do que os que preferem os Verdes como cabeças de cartaz em Berlim (39%).

O fim do bloco central

Confirme-se ou não nas urnas esta ultrapassagem dos Verdes à parceria entre a União Democrata Cristã (CDU) e a União Social Cristã (CSU), é certo que será necessário, como quase sempre, uma coligação de Governo (nos últimos 16 anos, Merkel governou em parceria com os sociais-democratas, depois com os liberais, e de novo com o SPD desde 2013). A solução mais sólida, em termos puramente aritméticos, seria uma nunca experimentada solução de Governo que incluísse os Verdes e a União.

Mas as projeções atuais do "Politbarometer" da ZDF mostram que uma subida dos Verdes também abre novas opções de coligação. É seguro que conseguiriam uma maioria parlamentar com os sociais-democratas do SPD (que se mantêm nos 14% de intenções de voto) e os liberais do FDP (sobem um ponto para os 10%). Mas é menos provável que seja possível uma coligação verde-vermelho-vermelho, que, além do SPD, incluísse o Die Linke (A Esquerda), que se mantém com uma projeção de 7%.

Outra consequência da evolução das projeções da sondagem é que seria agora impossível renovar a coligação entre a CDU/CSU e o SPD, que governou a Alemanha nos últimos oito anos. O bloco central arrisca somar enormes perdas eleitorais: nesta altura seriam menos 14 pontos percentuais, se compararmos com os 33% para a CDU/CSU e os 20% do SPD nas eleições de 2017. Em sentido contrário, os Verdes teriam agora mais 17 pontos percentuais do que há quatro anos.

Os efeitos da pandemia

É verdade, no entanto, que a procissão ainda vai no adro. E a evolução positiva da pandemia (e sobretudo do processo de vacinação) ainda poderá render dividendos políticos à União conservadora (da mesma forma que foi politicamente "castigada" pelos inquiridos nas sondagens anteriores, quando a crise de saúde pública se aprofundava).

Se em abril havia apenas 29% de cidadãos satisfeitos com as medidas tomadas para conter a pandemia, em maio, e quando o país já está em processo de desconfinamento, já são 49%. A insatisfação com o processo de vacinação também está a cair: em março, 92% achavam que o processo estava a correr mal, em abril essa percentagem já tinha descido para 80%, e em maio são "apenas" 62%.

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