Crise

Espanha pede eleições democráticas como "solução natural" na Venezuela

Espanha pede eleições democráticas como "solução natural" na Venezuela

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, conversou esta quinta-feira com o autoproclamado Presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, a quem transmitiu a mensagem de que eleições democráticas e transparentes são a solução "ideal e natural" para a crise naquele país.

Segundo fontes do Governo, Pedro Sánchez, que se encontra em Davos, na Suiça, no Fórum Ecónomico Mundial, conversou por telefone, durante dez minutos, com Juan Guaidó questionando-o sobre como pretende proceder e manifestando o apoio da União Europeia à Assembleia Nacional venezuelana, cuja legitimidade considera "indiscutível".

Juan Guaidó confirmou, através da sua conta no Twitter, ter recebido uma chamada telefónica do chefe do governo espanhol, detalhando que pode expressar-lhe "a luta que empreendida por toda a Venezuela, para conseguir um governo de transição e eleições livres" acrescentando que perante isto, Sanchez lhe confirmou o seu total apoio.

Contudo, o primeiro-ministro espanhol referiu que seu apoio a Juan Guaidó não foi explícito, uma vez que, de acordo com as mesmas fontes, pretende manter a unidade europeia e que a posição da União Europeia é definida em Conselho dos Negócios Estrangeiros.

O ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros, Josep Borrell, por seu turno, considerou que as eleições são "a única" solução "possível" para sair da crise na Venezuela,

"Devemos evitar que as coisas piorem e isso certamente requer um processo de intervenção para garantir a única saída possível que são as eleições", afirmou o chefe da diplomacia espanhola referindo-se à posição europeia expressa na quarta-feira e recusando-se a indicar se a Espanha é a favor de um reconhecimento de Juan Guaido.

Juan Guaidó autoproclamou-se na quarta-feira presidente interino da Venezuela, perante milhares de pessoas concentradas em Caracas.

"Levantemos a mão: Hoje, 23 de janeiro, na minha condição de presidente da Assembleia Nacional e perante Deus todo-poderoso e a Constituição, juro assumir as competências do executivo nacional, como Presidente Encarregado da Venezuela, para conseguir o fim da usurpação [da Presidência da República], um Governo de transição e eleições livres", declarou, num dia marcado por protestos contra Nicolás Maduro por todo o país que fizeram pelo menos sete mortos.

O engenheiro mecânico de 35 anos tornou-se rapidamente o rosto da oposição venezuelana ao assumir, a 3 de janeiro, a presidência da Assembleia Nacional, única instituição à margem do regime vigente no país.

Nicolás Maduro iniciou a 10 de janeiro o seu segundo mandato de seis anos como Presidente da Venezuela, após uma vitória eleitoral cuja legitimidade não foi reconhecida nem pela oposição, nem pela maior parte da comunidade internacional.

Em 15 de janeiro, numa coluna de opinião publicada no diário norte-americano The Washington Post, Juan Guaidó invocou artigos da Constituição que instam os venezuelanos a rejeitar os regimes que não respeitem os valores democráticos, declarando-se "em condições e disposto a ocupar as funções de Presidente interino com o objetivo de organizar eleições livres e justas".

Os Estados Unidos, a Organização dos Estados Americanos (OEA) e quase toda a América Latina, já reconheceram Juan Guaidó como Presidente interino da Venezuela.

O México, a Bolívia, Cuba, a Rússia, a China e a Turquia mantêm-se ao lado de Maduro, que consideram ser o Presidente democraticamente eleito da Venezuela.

Por seu lado, a União Europeia defendeu a legitimidade democrática do parlamento venezuelano, sublinhando que "os direitos civis, a liberdade e a segurança de todos os membros da Assembleia Nacional, incluindo do seu Presidente, Juan Guaidó, devem ser plenamente respeitados" e instando à "abertura imediata de um processo político que conduza a eleições livres e credíveis, em conformidade com a ordem constitucional".

Na quarta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, afirmou o seu pleno respeito "à vontade inequívoca" mostrada pelo povo da Venezuela e disse esperar que Nicolas Maduro "compreenda que o seu tempo acabou".

A Venezuela, país onde residem cerca de 300 mil portugueses ou lusodescendentes, enfrenta uma grave crise política e económica que levou 2,3 milhões de pessoas a fugir do país desde 2015, segundo dados da ONU.

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