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Especialistas analisam imagens de "rara" queda quase vertical de avião na China

Especialistas analisam imagens de "rara" queda quase vertical de avião na China

Especialistas em segurança aérea disseram que estão a analisar imagens dos momentos finais do Boeing 737-800, que se despenhou na segunda-feira, numa queda quase vertical, contra uma encosta arborizada, no sul da China.

Os investigadores ainda não anunciaram a recuperação dos registos do aparelho das chamadas "caixas negras" do avião. O equipamento, que está fortemente protegido, regista informações como o desempenho da aeronave e registos áudio da cabina.

As imagens de vídeo, registadas pelas câmaras de segurança de uma empresa de mineração e de um carro que viajava nas proximidades, foram amplamente partilhadas nas redes sociais chinesas.

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Nestas imagens, o Boeing 737-800, operado pela China Eastern Airlines, é visto numa queda quase vertical, a centenas de quilómetros por hora. José Correia Guedes, ex-piloto da TAP e especialista em aviação, considera "muito preocupante" a forma como caiu o avião, que "picou" para o solo.

"Perdeu 20 mil pés em dois minutos. Última velocidade registada antes do impacto 696 km/h. Algo de muito estranho terá acontecido", escreve o ex-piloto e conhecido autor de livros sobre aviação. "A seguir com atenção", acrescentou na conta pessoal do Twitter.

De acordo com dados do "site" de rastreamento de voos FlightRadar24, o Boeing 737-800 perdeu velocidade, antes de entrar numa descida acentuada durante um minuto e meio.

Dados de satélite registados pela agência espacial norte-americana NASA mostraram um grande incêndio na área onde o avião caiu, no momento do impacto.

O acidente ocorreu no sul da província de Guangxi, cerca de uma hora depois de o voo partir de Kunming, capital da província vizinha de Yunnan.

A bordo do voo MU5735 estavam 132 pessoas, 123 passageiros e nove tripulantes, disse a Administração da Aviação Civil da China.

Ninguém sobreviveu ao acidente, face à destruição total do aparelho, no desastre aéreo mais mortal da China em décadas.

A imprensa estatal chinesa disse que a polícia local recebeu os primeiros telefonemas de moradores a alertar sobre o acidente por volta das 14:30 de segunda-feira na China (06:30 de segunda-feira em Lisboa).

O departamento de gestão de emergências da província de Guangxi disse que o contacto com o avião foi perdido às 14:15 (06:15 em Lisboa), quando o aparelho se encontrava a sudoeste da cidade de Wuzhou.

Na segunda-feira, a Autoridade Federal de Aviação dos Estados Unidos afirmou estar "pronta para ajudar nos esforços de investigação, caso seja solicitado", tal como a construtora Boeing.

"A Boeing está em contacto com o Conselho Nacional de Segurança em Transportes dos EUA e os nossos especialistas técnicos estão preparados para ajudar na investigação, liderada pela Administração de Aviação Civil da China", disse a empresa, na rede social Twitter.

O ex-diretor do agência de investigação e análise para a segurança da aviação civil francesa Jean-Paul Troadec considerou os dados são "muito incomuns", mas sublinhou ser "muito cedo" para tirar conclusões, de acordo com a agência de notícias France-Presse.

Na opinião de Juan Browne, um piloto de aparelhos Boeing 777 e analista de acidentes de aviação na Internet, os investigadores vão procurar, antes de mais, determinar "se a aeronave estava inteira quando atingiu o solo ou se algo caiu do avião durante a queda".

O piloto, que considerou "extremamente raro" que uma aeronave registe uma queda quase vertical, disse que "o vídeo sugere que a aeronave estava inteira", avançando que os investigadores deverão focar-se nas superfícies móveis, na parte traseira do avião, que controlam a inclinação do nariz da aeronave.

O Boeing 737 bimotor de corredor único é um dos aviões mais populares do mundo para voos de curta e média distância.

A China Eastern opera várias versões daquele modelo, incluindo o 737-800 e o 737 Max.

A utilização da versão 737 Max esteve suspensa em todo o mundo, após dois acidentes fatais. O regulador de aviação civil da China voltou a permitir o seu uso no final do ano passado.

O último acidente mortal com um avião civil registado na China ocorreu em 2010.

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