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Espionagem de jornalistas, ativistas e opositores causa indignação global

Espionagem de jornalistas, ativistas e opositores causa indignação global

Organizações de direitos humanos, meios de comunicação, União Europeia e governos indignaram-se esta segunda-feira com as revelações de espionagem global sobre ativistas e jornalistas usando o 'software' Pegasus desenvolvido por uma empresa israelita, a NSO Group.

A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) pediu esta segunda-feira que governos de países democráticos ajam judicialmente contra aqueles que se serviram do programa para espiar jornalistas.

"Os países democráticos devem assumir o controlo deste caso particularmente grave, determinar os factos e sancionar os responsáveis. Convidamos os jornalistas e os meios [de comunicação social] afetados a virem à RSF para se juntarem à resposta judicial necessária após as revelações", afirmou Christophe Deloire, secretário-geral da RSF, em comunicado.

A organização recordou que já tinha descrito a NSO Group como "predadora digital" da liberdade de imprensa em 2020 e que participou na ação judicial da rede de mensagens Whatsapp nos Estados Unidos contra a empresa israelita e também que tinha alertado, em 2017, contra o Pegasus e o uso na espionagem de jornalistas mexicanos e informantes da Arábia Saudita, Marrocos, Índia e Azerbaijão.

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O Governo marroquino denunciou hoje como "falsa" a informação segundo a qual os serviços do reino "se infiltraram nos telemóveis de várias personalidades públicas nacionais e estrangeiras e dirigentes de organismos internacionais através de programas informáticos".

O jornal 'online' francês Mediapart escreveu hoje que "os números de telemóvel da [jornalista] Lénaig Bredoux e Edwy Plenel [cofundador da plataforma] estão entre os 10 mil que os serviços secretos marroquinos visaram".

Segundo o órgão, esta espionagem coincidiu com a "repressão ao jornalismo independente em Marrocos", particularmente contra o jornalista de investigação detido Omar Radi, cuja invasão ao telemóvel pelo Pegasus já tinha sido denunciada pela Amnistia Internacional em 2020.

Também a Hungria já reagiu às acusações, com o Governo de Viktor Órban a negar o uso do 'software' por parte dos serviços secretos e qualquer cooperação nesse sentido com Israel.

"O diretor-geral [dos serviços secretos] informou-me que não foi estabelecida qualquer cooperação com os serviços secretos israelitas", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Peter Szijjarto, em conferência de imprensa.

De acordo com a denúncia, a Hungria teria usado o 'software' para espiar jornalistas, o proprietário de um portal de notícias, um autarca da oposição e advogados.

"Este escândalo envergonha o país", reagiu, na rede social Facebook, o presidente da Câmara de Budapeste, Gergely Karacsony, um ambientalista que espera vencer Órban nas legislativas de 2022.

Também através das redes sociais, três membros da oposição convocaram uma reunião extraordinária da chamada Comissão de Segurança Nacional, para poder interrogar o Governo e altos funcionários.

A associação de jornalistas húngaros MUOSZ disse estar "chocada".

Um consórcio de 17 órgãos de comunicação internacionais denunciou que jornalistas, ativistas e dissidentes políticos em todo o Mundo terão sido espiados graças ao 'software' desenvolvido pela empresa israelita NSO Group.

A empresa, fundada em 2011 a norte de Telavive, comercializa o 'spyware' Pegasus, que, inserido num 'smartphone', permite aceder a mensagens, fotos, contactos e até ouvir as chamadas do proprietário.

A lista inclui os números de telefone de pelo menos 180 jornalistas, 600 políticos, 85 ativistas de direitos humanos e 65 líderes empresariais, de acordo com a análise realizada pelo consórcio, que localizou muitos em Marrocos, Arábia Saudita e México.

Correspondentes estrangeiros de vários órgãos de comunicação social, incluindo o The Wall Street Journal, CNN, France 24, Mediapart, El Pais e a agência de notícias France-Presse (AFP), também fazem parte da lista.

Outros nomes no documento, que inclui um chefe de Estado e dois chefes de Governo europeus, deverão ser divulgados nos próximos dias.

As revelações vêm juntar-se a um estudo divulgado em dezembro de 2020 pelo Citizen Lab, um centro de pesquisa especializado em questões de ataques informáticos da Universidade de Toronto, no Canadá, que confirmou a presença do 'software' Pegasus nos telefones de dezenas de empregados da estação televisiva Al-Jazeera, no Qatar.

A WhatsApp também reconheceu, em 2019, que alguns dos seus utilizadores na Índia tinham sido espiados pelo 'software'.

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