Lava Jato

Esquerda latino-americana usa caso Lula para frisar que existe conspiração de direita na justiça

Esquerda latino-americana usa caso Lula para frisar que existe conspiração de direita na justiça

Dirigentes da esquerda latino-americana, como Alberto Fernández, Rafael Correa e Evo Morales, aplaudiram a decisão judicial que na segunda-feira anulou as sentenças contra Lula no Brasil e reiteraram a teoria de que existe uma conspiração de direita na justiça.

O Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro anulou na segunda-feira todas as condenações do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela Justiça Federal no Paraná, relacionadas com as investigações da Operação Lava Jato.

O primeiro a comemorar as anulações das sentenças contra Lula foi o Presidente argentino, Alberto Fernández, que antes telefonou para Lula e depois publicou nas redes sociais.

Na conversa, Fernández disse que "nunca tinha duvidado da inocência de Lula". Na rede social Twitter, publicou que "a Justiça foi feita".

"Celebro que Lula tenha sido reabilitado em todos os seus direitos políticos. Foram anuladas as condenações contra ele, ditadas com o único objetivo de persegui-lo e de eliminá-lo da corrida política", escreveu Fernández, que compara sempre a situação de Lula com a da sua atual vice, a ex-presidente Cristina Kirchner (2007-2015).

Cristina Kirchner responde em dez processos, a maioria por corrupção, e impulsiona uma reforma do Judiciário que dilua o poder dos atuais juízes, a quem quer remover.

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O boliviano Evo Morales, que foi Presidente entre 2005-2019 e é acusado na Justiça do seu país por crimes que não corrupção, também comemorou que "finalmente tenha sido feita justiça com o irmão Lula".

"Lula é vítima de uma furiosa perseguição do 'lawfare' da direita com fins políticos", publicou Morales.

"Lawfare", o uso estratégico do Direito para fins ilegítimos, é o termo usado pela esquerda latino-americana para definir uma guerra judiciária alegadamente criada pela direita com o objetivo de intervir na política e destruir adversários.

Dessa conspiração, defende quem usa o termo, participariam a oposição, os empresários, o sistema financeiro, os meios de comunicação, os Estados Unidos e a Justiça.

"Na América Latina, há três casos absolutamente claros de 'lawfare', esse acordo entre poder e meios de comunicação para instalar a culpa de alguma pessoa onde só há inocência. São Rafael Correa no Equador, de Cristina Kirchner na Argentina e de Lula no Brasil", disse Alberto Fernández, no dia 22 de fevereiro, durante videoconferência pelos 41 anos do Partido dos Trabalhadores, fundado por Lula.

Rafael Correa (2007-2017), ex-presidente do Equador, condenado a oito anos por corrupção, também usou na segunda-feira o caso Lula como um espelho do seu.

"Oligarquia latino-americana, imprensa e juízes corruptos, entendem que nunca poderão contra a força da verdade e da integridade?", atacou Correa, via Twitter.

Segundo o analista político argentino Carlos Pagni, a notícia da anulação das sentenças de Lula "é extremamente importante para a narrativa de 'lawfare' na região e, particularmente para o Governo argentino, sobretudo para a ex-presidente Cristina Kirchner".

"Todo o enredo processual no Brasil, aqui na Argentina é sintetizado como 'Lula é inocente'. Inocência não foi o que o ministro Edson Fachin (do Supremo Tribunal Federal do Brasil) determinou, mas é importante dizerem isso aqui porque o 'lawfare' tem um limite: as provas. E aqui na Argentina há uma tonelada delas", observa Pagni.

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