Acordo comercial

Estados Unidos e China suspendem novas tarifas de retaliação

Estados Unidos e China suspendem novas tarifas de retaliação

China e Estados Unidos anunciaram esta sexta-feira um acordo parcial para colocar fim a um conflito comercial que dura há quase dois anos, suspendendo tarifas retaliatórias que entrariam em vigor no domingo.

"Iniciaremos negociações da Fase Dois do acordo imediatamente, em vez de esperar por depois das eleições de 2020", escreveu hoje o Presidente norte-americano, Donald Trump, na sua conta pessoal da rede social Twitter, referindo-se a uma nova etapa das negociações com a China.

Do lado chinês, o vice-ministro do Comércio, Wang Shouwen, disse esta sexta-feira numa conferência de Imprensa que os dois lados tinham chegado a uma primeira fase do acordo comercial, que inclui o entendimento sobre matérias como a transferência de tecnologia, propriedade intelectual, expansão comercial e estabelecimentos de mecanismos de resolução de disputas.

O chefe de assuntos internacionais da Câmara de Comércio dos EUA, Myron Brilliant, esclareceu que este acordo parcial levou os Estados Unidos a suspender o plano de impor tarifas de 160 mil milhões de dólares (quase 150 mil milhões de euros) em importações chinesas, que deveria arrancar no domingo.

Os Estados Unidos comprometem-se igualmente a eliminar progressivamente as acusações que pendiam sobre China, no diferendo comercial.

Em troca, a China compromete-se a comprar mais produtos agrícolas dos EUA, a aumentar o acesso das empresas norte-americanas ao mercado chinês e a reforçar a proteção imediata de direitos de propriedade intelectual.

"Este é um acordo fantástico para nós!", exclamou Donald Trump no Twitter, justificando a decisão de suspender a aplicação de novas tarifas retaliatórias e a vontade de iniciar em breve uma nova fase do acordo comercial.

Na quinta-feira, três senadores democratas tinham escrito uma carta a Trump pedindo-lhe para "permanecer firme" nas negociações com a China, exigindo "compromissos do Governo chinês de promulgar reformas estruturais substantivas, aplicáveis e permanentes".

Em reação a este desfecho antecipado da Fase Um do acordo comercial, as bolsas mundiais reagiram favoravelmente com subidas significativas, alicerçadas igualmente por uma boa reação ao resultado das eleições no Reino Unido.

Desde julho de 2018, os Estados Unidos tinham imposto tarifas retaliatórias de mais de cerca de 360 mil milhões de dólares (mais de 300 mil milhões de euros) sobre produtos chineses, com Pequim a responder tributando acrescidamente cerca de 120 mil milhões de dólares (mais de 100 mil milhões de euros) em exportações dos EUA.