Covid-19

Portugal sem registo de estirpe inglesa que já chegou à Europa e Austrália

Portugal sem registo de estirpe inglesa que já chegou à Europa e Austrália

A Organização Mundial de Saúde (OMS) apelou aos membros na Europa para "reforçarem os controlos" por causa da variante do novo coronavírus no Reino Unido, disse, este domingo, à agência de notícias AFP o porta-voz daquele organismo para a Europa.

Em Portugal não foi identificada, até ao momento, a nova estirpe do SARS-CoV-2 que apareceu no Reino Unido e que as autoridades britânicas referem ser "mais facilmente transmissível", disse fonte oficial do Instituto Ricardo Jorge.

"O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) tem vindo a desenvolver, desde o passado mês de abril, um estudo de âmbito nacional sobre a variabiliade genética do SARS-CoV-2 em Portugal, através da análise do genoma deste novo coronavírus. De acordo com os resultados obtidos até ao momento, ainda não foi identificada em Portugal a nova variante genética detetada a circular numa região do Reino Unido", avançou à agência Lusa fonte do gabinete de imprensa do INSA.

De acordo com a OMS, fora do território britânico foi reportado um número reduzido de casos, nove na Dinamarca, assim como um caso na Holanda e na Austrália.

Além disso, a OMS recomendou aos seus membros para que "aumentem as suas capacidades de sequenciação" do vírus, antes de saberem mais sobre os riscos colocados por esta variante.

Diversos países europeus decidiram, este domingo, suspender todos os voos do Reino Unido após a descoberta desta nova variante que está "fora de controlo".

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Segundo a OMS, além dos "sinais preliminares de que a variante pode ser mais contagiosa", esta nova estirpe "também pode afetar a eficácia de certos métodos diagnósticos", ainda de acordo com "informações preliminares".

Não há, entretanto, "nenhuma evidência de mudança em termos da gravidade da doença", embora esse ponto também esteja a ser investigado, salientou o mesmo porta-voz da OMS para a Europa. Este responsável, entrevistado pela agência AFP disse que a organização dará mais informações assim que tiver "uma visão mais clara das características desta variante".

"Em toda a Europa, onde a transmissão é alta e generalizada, os países devem fortalecer os seus procedimentos de controlo e prevenção", salientou esta agência das Nações Unidas.

A nível mundial, a OMS recomenda "que todos os países aumentem, quando possível, as suas capacidades de sequenciação do vírus SARS-CoV-2 e que partilhem os dados internacionalmente, especialmente se as mesmas mutações problemáticas forem identificadas".

Além dos três países que identificaram a mutação do vírus que existe em território do Reino Unido, "diferentes países reportaram à OMS outras variantes que trazem certas alterações genéticas da variante britânica", nomeadamente uma mutação designada por 'N501Y'.

No caso da África do Sul, que reportou na sexta-feira uma mutação no novo coronavírus, adiantou que considera a mutação "N501Y" como a causadora de um maior contágio. Este país "está a fazer investigação adicional para melhor entender esta ligação", salientou a OMS.

O que significa esta estirpe para os programas de vacinação?

Cerca de 20 milhões de pessoas estão confinadas desde hoje em Londres e respetiva região metropolitana, devido ao aumento de infeções com covid-19, aparentemente devido à mutação que torna o vírus mais contagioso, situação que o Reino Unido já comunicou à Organização Mundial de Saúde (OMS).

Na sequência desta questão, a ministra da Saúde da Generalitat, o governo da Catalunha, Alba Vergés, partilhou um 'tweet' em que pede ao Governo que proíba as ligações aéreas com o Reino Unido. "Vários países europeus estão a proibir viagens para o Reino Unido. O governo espanhol deve agir já para proteger os cidadãos relativamente à incerteza existente", escreveu na sua conta de Twitter.

O investigador Prieto-Alhambra, de Oxford, em entrevista à rádio RAC1, explicou que há um mês que se fala no meio científico sobre uma possível mutação do vírus, que agora seria mais contagiosa, alteração essa que teria sido detetada em vários países europeus.

O especialista considera que ainda é muito cedo para perceber se esta mutação é a causa do aumento repentino de casos em Londres, Alemanha, Itália ou Espanha, embora tenha avançado que é quase certo que já está presente em vários países europeus.

Prieto-Alhambra, também membro do conselho de peritos que assessora a Agência Europeia de Medicamentos sobre as novas vacinas contra o vírus, explicou que os primeiros indícios sugerem que a alteração ocorreu na proteína S do vírus, o que lhe permite adaptar-se melhor e, consequentemente, ser mais contagioso.

Se as pesquisas confirmarem esse facto, Prieto-Alhambra defende que será necessário vacinar mais pessoas do que as previstas para alcançar a chamada imunidade de grupo. Por outro lado, destacou, se já houver mais infetados, embora assintomáticos, do que os estudos agora indicam, "estão a ser desperdiçadas vacinas" com pessoas já infetadas.

Prieto-Alhambra prognostica que, em todo caso, não será possível afirmar que a pandemia estará controlada dentro de meio ano e pediu que todas as pessoas sejam vacinadas. "É mais certo obter imunidade sendo vacinado do que infetado", acrescentou.

Defendeu também que a vacinação comece pelos idosos e trabalhadores de setores essenciais, especialmente do setor da saúde, porque daí resultarão menos internamentos devido à covid-19 e a diminuição dos óbitos.

Relativamente à vacina russa, o professor catedrático lamentou "o problema de transparência" com que foi desenvolvida, o que torna difícil saber "se se fizeram atalhos", o que não aconteceu com as restantes.

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