Bielorrússia

"Estou pronta para implorar ajuda", diz mãe de namorada de jornalista

"Estou pronta para implorar ajuda", diz mãe de namorada de jornalista

Anna Dudich não pode visitar a filha e lamenta que a jovem estudante tenha sido detida só por namorar com o ativista Roman Protasevich. "Ela está apaixonada. Isso ainda não é proibido, pois não?", questiona.

Uma última mensagem apenas com a palavra "mãe" e, desde então, silêncio absoluto. A filha de Anna Dudich, Sofia Sapega, seguia no voo 4978 da Ryanair de Atenas para Vilnius, juntamente com o namorado, o jornalista Roman Protasevich, quando o avião foi desviado para a capital da Bielorrússia, no passado domingo.

A jovem, de 23 anos, e Roman, de 26, conhecido por ser uma voz crítica do regime, foram detidos assim que chegaram a Minsk. Os vídeos entretanto divulgados, nos quais surgem a confessar os crimes de que são acusados, não convencem a família nem a oposição política ao presidente Alexander Lukashenko, segundo a qual as gravações terão sido feitas sob coação.

"Ainda não acreditamos que isto esteja a acontecer com a nossa filha", reconheceu Dudich, em declarações à BBC, afirmando estar "pronta para implorar a ajuda de qualquer pessoa". Uma conversa que aconteceu pouco tempo depois de Anna ter ido entregar roupas, comida e produtos de higiene na prisão da KGB (serviços de segurança bielorrussos), onde Sapega ficará sob custódia durante dois meses.

As visitas dos familiares não são permitidas e, depois de ver a filha confessar, em vídeo, ser "editora do canal de Telegram Chernaya Kniga, que publica informação privada sobre agentes da autoridade", Anna não tem dúvidas de que a forçaram a falar.

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Além de agir "de uma forma pouco habitual", Dudich nota que Sapega "olha para cima e para baixo", como se estivesse com receio de se esquecer de alguma coisa. Preocupada com o futuro da filha, garante ainda que a jovem estudante não é ativista e nem sequer participou nos protestos de 2020 que se seguiram às eleições presidenciais.

"Não entendo a razão pela qual a minha filha foi detida", lamentou. "Ela só está a viver como uma jovem normal - estuda, diverte-se e está apaixonada. Isso ainda não é proibido, pois não? Simplesmente não consigo entender", afirmou.

De recordar que a crise na Bielorrússia foi desencadeada após as presidenciais realizadas em agosto passado, cujos resultados oficiais deram a vitória a Alexander Lukashenko, no poder há 26 anos, com 80,23% dos votos.

O incidente do passado domingo deixou os líderes da União Europeia em alerta. Numa reunião realizada no dia seguinte, decidiram pedir às companhias europeias para evitar o espaço aéreo bielorrusso, enquanto banem as transportadoras da Bielorrússia na Europa, exigindo ainda mais sanções contra o regime de Lukashenko.

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