Violência

Estudante brasileira assassinada a tiro na Nicarágua

Estudante brasileira assassinada a tiro na Nicarágua

Uma estudante brasileira foi assassinada segunda-feira à noite na Nicarágua depois de fotografar um grupo de paramilitares no sul de Manágua, capital do país.

A informação foi divulgada pelo reitor da Universidade Americana (UAM), Ernesto Medina.

Raynéia Gabrielle Lima, de 31 anos, estava há um ano na UAM, onde frequentava o curso de Medicina e a sua morte ocorre em plena crise social e política nicaraguense, com manifestações contra o presidente Daniel Ortega, que provocou entre 277 e 351 mortos, segundo organizações humanitárias locais e internacionais.

O Brasil já condenou o assassínio da estudante e apelou ao Governo daquele país que "identifique e puna" os responsáveis.

Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil disse que a morte de Raynéia Gabrielle Lima causou "profunda indignação" já que ela foi "atingida por tiros em circunstâncias sobre as quais está buscando esclarecimentos junto ao Governo da Nicarágua".

"O Governo brasileiro insta as autoridades nicaraguenses a disponibilizar todos os esforços necessários para identificar e punir os responsáveis pelo ato criminoso", lê-se na nota.

O Brasil também reiterou a sua condenação do "aumento da repressão, uso desproporcionado e letal da força e da utilização de grupos paramilitares coordenados por operações de equipamentos de segurança".

"Ao repudiar a perseguição de manifestantes, estudantes e defensores dos direitos humanos, o Governo brasileiro novamente insta o Governo da Nicarágua para garantir o exercício dos direitos individuais e as liberdades civis", acrescentou o Ministério das Relações Exteriores.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos acusam o Governo de Nicarágua de praticar "assassinatos, execuções extrajudiciais, maus-tratos, possível tortura e detenções arbitrárias."

A Nicarágua atravessa a crise mais sangrenta da sua história em tempos de paz, e a mais forte desde os anos 1980, quando Ortega também era o presidente do país.

Os protestos contra Ortega e sua mulher, a vice-presidente Rosario Murillo, começaram em 18 de abril, quando a população passou a manifestar-se nas ruas contra as reformas fracassadas na área de segurança social e a exigir a renúncia do presidente.

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