Pandemia

Estudantes franceses pedem reabertura das universidades em prol da saúde mental 

Estudantes franceses pedem reabertura das universidades em prol da saúde mental 

Os estudantes franceses saíram à rua para protestar contra o encerramento das universidades - fechadas desde outubro -, que, dizem, estar a colocar em risco a saúde mental de milhares de jovens adultos.

Privados das aulas presenciais e de continuarem a viver em quartos nas residências, longe de casa, muitos jovens adultos não estão a conseguir lidar psicologicamente com as restrições. Nas últimas duas semanas, dois estudantes, em Lyon, tentaram o suicídio.

O colega de turma do estudante, Romain Narbonnet, indignado com o sucedido, questionou as medidas do governo, escolas abertas, mas faculdades continuam encerradas: "ficamos 24 horas, 7 dias por semana no nosso quarto, da mesma dimensão de uma cela prisional, no entanto com Wi-Fi. Qual o peso que um estudante pode suportar?", escreveu no Facebook.

Ryan Kennedy, de 19 anos, estudante de Direito, em Montpellier, revela que todos os dias fala ao telemóvel com amigos que estão a lutar por preservar a saúde mental, e confessa que não é fácil viver sozinho, desde setembro. Kennedy, em conjunto com os amigos, decidiu iniciar um protesto no Twitter com a hashtag #etudiantphantomes (#estudantesfantasma), com o objetivo de unir os estudantes nesta causa e chamar a atenção do governo francês para o momento que estão a viver.

Face ao aumento de casos pelo novo coronavírus, a França impôs o recolher obrigatório da população às 18 horas. Cafés, ginásios e cinemas permanecem fechados, o que para além de diminuir a socialização, retira a possibilidade de realizar outras atividades de lazer.

O isolamento, a falta de contacto social e a perda de objetivos futuros têm vindo a colocar em risco a saúde mental dos estudantes universitários, o que contribuiu para o aumento significativo dos pedidos de ajuda, revelam os psicólogos.

"Tenho 19 anos e sinto-me como se estivesse morta. Já não tenho sonhos. Se não temos esperança ou perspetivas para o futuro aos 19 anos, o que nos resta? No início era suposto ser temporário, mas estar no computador o dia todo é cansativo ao ponto de não se poder concentrar em nada", escreveu Heïdi Soupault, estudante de Ciências Políticas, em Estrasburgo, numa carta aberta dirigida ao presidente Emmanuel Macron.

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O presidente francês demonstrou-se compreensivo e apelou aos jovens para não desistirem. "É difícil ter 20 anos em 2020. Continue a resistir... Nós sabemos o que lhe devemos. Peço-lhe mais um esforço", disse.

Pressionado pelos jovens adultos, o primeiro-ministro Jean Castex aprovou o regresso parcial às aulas nas faculdades, a partir do final deste mês. Porém, a medida apenas será permitida aos alunos do primeiro ano.

Inconformados com a decisão, vários estudantes saíram às ruas francesas acompanhados com cartazes que reforçaram a mensagem: "Não seremos a geração sacrificada". As manifestações visam pressionar o governo e o ministro da Educação a reabrir as universidades a todos os alunos, revela a Associated Press.

Marcelle Laliberté, reitora da HEC Paris, afirmou que se a situação permitisse, gostaria de retomar as atividades académicas. "Entre os nossos estudantes mais jovens, metade deles afirmou que esta situação teve impacto no seu estado de espírito. Sentem muita falta da experiência do campus e estão preocupados com a oportunidade de ganhar experiência profissional no futuro", realça.

Teme-se que a saúde mental dos jovens entre em colapso e que muitos abandonem os cursos. O governo francês reconheceu que o confinamento não está somente a afetar os mais novos, é uma preocupação de saúde pública, no entanto considera precoce o regresso à normalidade, principalmente com a nova variante do vírus a dominar o país.

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