Venezuela

Estudantes venezuelanos teimam em não sair das ruas

Estudantes venezuelanos teimam em não sair das ruas

Os estudantes venezuelanos voltaram a protestar nas ruas de várias cidades contra o presidente Nicolás Maduro, no dia em que o país assinalou o 25.° aniversário de o "Caracazo", revolta popular contra o então chefe de Estado, Carlos Andres Perez, que resultou na morte de pelo menos 300 pessoas.

Sob o lema "Nem mais um morto", lançado por Juan Requesens, um dos dirigentes do movimento, em Caracas, os jovens não eram mais do que algumas poucas centenas, segundo a AFP. O Governo espera que com o fim de semana prolongado que se avizinha, devido ao Carnaval e ao primeiro aniversário da morte de Hugo Chávez, os protestos acalmem.

"Como é que pode gozar o Carnaval quando há pessoas a morrerem?", podia ontem ler-se num cartaz que os jovens mostravam aos automobilistas que entravam na autoestrada rumo à costa caribenha, noticiava a Reuters.

O chefe de Estado já manifestou abertura para se reunir com os estudantes, mas primeiro exige que sejam cumpridas algumas exigências, como o respeito pela Constituição Nacional.

Para tentar ultrapassar a atual crise política, Nicolás Maduro promoveu, na quarta-feira, a 1.ª Conferência Nacional da Paz, que ficou marcada pela ausência do principal partido da Oposição. O líder da Mesa Unitária Democrática, Henrique Capriles Radonski, considerou que a reunião não passou de um "simulacro de diálogo".

No encontro, que teve lugar no palácio presidencial, participaram representantes do Governo e das forças políticas que o apoiam, mas também alguns autarcas da Oposição, representantes do setor empresarial, religioso e dos estudantes.

Os empresários aproveitaram a ocasião para propor a Maduro um acordo entre os setores privado e público para combater o problema da escassez de bens essenciais com o qual o país também se debate há muito tempo.

Segundo o jornal espanhol "Público", o Ministério Público anunciou ontem a detenção de seis colaboradores do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional e outros dois funcionários do Estado por suspeita de envolvimento na morte de dois cidadãos durante as manifestações de 12 de fevereiro. Desde que os protestos começaram, já morreram 13 pessoas.

Preocupada com o que se passa na Venezuela, a Comissão Europeia pediu ontem o "fim imediato da violência" e condenou a detenção de estudantes e opositores do presidente Nicolás Maduro.

* com agência Lusa

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