Pandemia

Estudo indica que imunidade à covid-19 pode durar meses ou anos

Estudo indica que imunidade à covid-19 pode durar meses ou anos

Um novo estudo concluiu que a imunidade ao vírus da SARS-CoV-2, que provoca a covid-19, pode durar meses ou até anos. Notícias animadoras quando a vacina está à porta.

A pesquisa, feita pelo pelo instituto La Jolla e a Universidade de San Diego, nos EUA, foi publicada online e ainda carece de revisão pelos pares. Mas, é o estudo mais alargado sobre a memória imunitária que o corpo guarda do vírus, para preparar a reposta a novo ataque.

Oito meses após a infeção, a maioria das pessoas que recuperou da doença ainda tinha células imunitárias suficientes para combater o vírus e evitar a doença. Segundo o estudo, o baixo ritmo de declínio dessas células no curto prazo indica que a capacidade protetora do organismo pode durar anos.

"Esses níveis de memória evitariam que a vasta maioria das pessoas ficasse severamente doente, que fosse hospitalizada, por muitos anos", disse Shane Crotty, um dos virologistas do instituto La Jolla, responsável pelo estudo, em declarações ao jornal "The New York Times".

Esta descoberta é um alívio para os especialistas preocupados com a baixa duração da imunidade ao vírus e deixam antever que as vacinas não precisarão de ser administradas todos os anos, ou mais do que uma vez ao ano, para controlar a pandemia.

Akiko Iwasaki, imunologista da Universidade de Yale nos EUA, não ficou surpreendida com a resposta de longa duração ao vírus, porque "é o que é suposto", mas ainda assim ficou emocionada. "São notícias excelentes", disse ao NYT.

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O estudo que produziu estas "excelentes notícias" teve por base uma amostra de 185 pessoas, homens e mulheres, com idades compreendidas entre os 19 e os 81 anos, que recuperaram da covid-19. A maioria teve sintomas ligeiros, sem necessidade de hospitalização.

Os participantes cederam pelo menos ma amostra de sangue, enquanto 38 destes foram testados várias vezes ao longo de vários meses. Os especialistas observaram quatro componentes do sistema imunitário: anticorpos; células B, que produzem mais anticorpos se necessário; e dois tipos de células T, que matam outras células infetadas.

A ideia foi construir uma imagem da resposta imunitária ao longo do tempo, com base nestes quatros elementos. "Se olhássemos só para um poderíamos não estar a ver o panorama total", justificou Shane Crotty.

A equipa de Crotty concluiu que os anticorpos eram duráveis, com uma quebra modesta seis a oito meses após a infeção, embora com diferenças entre os participantes. As células T apresentaram apenas uma ligeira quebra no corpo, enquanto as células B aumentaram - uma descoberta inesperada que os investigadores ainda não conseguiram ainda explicar.

O estudo do La Jolla vai de encontro às conclusões de outra pesquisa publicada recentemente, que encontrou importantes células imunitárias em sobreviventes da SARS, uma doença causada por outro coronavírus, que assustou o Mundo entre 2002 e 2004.

Outra investigação, cujos resultados foram apresentados na semana passada, concluiu, também, que pessoas que recuperaram da doença tinham poderosas células imunitárias protetoras, mesmo quando os anticorpos não foram detetados.

Ambos os trabalhos vão ao encontro de um outro, conduzido pela Universidade de Washington, nos EUA, há semanas, o qual descobriu que certas células de memória produzidas após a infeção persistiam no corpo pelo menos três meses.

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