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Estudos "alarmantes" ao cordão umbilical: "Já nascemos expostos a químicos eternos"

Estudos "alarmantes" ao cordão umbilical: "Já nascemos expostos a químicos eternos"

Cientistas examinaram cerca de 30 mil amostras de sangue retirado de cordões umbilicais e encontraram químicos perigosos e resistentes no elo que liga a mãe e o filho. "Já nascemos expostos a químicos eternos", dizem os investigadores.

Químicos tóxicos conhecidos como PFAS foram detetados em todas as amostras de sangue retiradas dos cordões umbilicais em 40 estudos científicos realizados nos últimos cinco anos. Uma nova revisão de literatura concluiu que as substâncias perfluoroalquiladas (PFAS), uma família de químicos sintéticos amplamente utilizados por toda a sociedade e encontrados no ambiente, estavam presentes em todos os bebés acompanhados naquelas pesquisas.

"Ainda antes de nascer já estamos expostos a PFAS", disse Uloma Uche, cientista da área da saúde ambiental associada ao Grupo de Trabalho Ambiental, nos EUA. Os estudos agora revistos analisaram 30 mil amostras de sangue colhido de cordões umbilicais, e encontraram complicações associadas às PFAS em bebés por nascer, em crianças e na idade adulta.

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Os cientistas focaram-se no estudo do sangue do cordão umbilical porque é a ligação entre o bebé e a mãe. As conclusões são especialmente "perturbadoras" porque os fetos "estão em desenvolvimento e são mais vulneráveis a estas exposições e não têm mecanismos para lidar com estes químicos", explicou Uloma Uche, citada pelo jornal "The Guardian".

Exposição às PFAS causa problemas de saúde

Os estudos ligam a exposição do feto a estes químicos a níveis mais elevados de colesterol e triglicerídeos nos bebés e a mudanças nos ácidos biliares, que podem levar a riscos mais elevados de problemas cardíacos mais tarde na vida. Alguns estudos associam a exposição do cordão umbilical às PFAS a problemas da tiroide e do cólon.

As PFAS podem ficar no corpo durante anos, até décadas, e alguns estudos ligam a exposição fetal a efeitos na função reprodutiva, problemas de peso, eczema e até disfunções cognitivas durante a infância e a idade adulta.

As PFAS, uma família de cerca de 12 mil químicos, são conhecidas como "químicos eternos" porque não se decompõem naturalmente e acumulam-se na natureza e no corpo humano. Estes químicos estão associados ainda a defeitos de nascença, cancro, doenças renais e do fígado, entre outras. Podem ser absorvidas através da pele, pelo trato digestivo ou inaladas, à medida que se libertam dos produtos e se deslocam pelo ar.

O governo federal dos EUA estima que as PFAS estão presentes no sangue de 98% dos norte-americanos. A Agência Ambiental norte-americana (EPA, na sigla original) descobriu recentemente que não há um nível seguro de PFAS na água. Estes químicos podem ser encontrados, em níveis alarmantes, na carne, peixe, produtos lácteos e alimentos processados. Estão também presentes em embalagens alimentares, roupas à prova de água e até em fio dentário.

As descobertas sublinham a necessidade da EPA e da FDA de banir o uso de PFAS não essenciais, estabelecer limites de compostos químicos em água potável e na alimentação, algo que até hoje tanto a EPA como a FDA têm evitado. "Esta revisão urge a EPA e a FDA a darem passos simples para reduzir a exposição a PFAS, para proteger as nossas crianças", disse Ulceh.

Os estudos identificaram cerca de 35 compostos diferentes e PFAS, incluindo alguns químicos novos que a indústria e alguns reguladores diziam que não se acumulavam no corpo.

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