Ucrânia

EUA advertem Rússia e anunciam mil milhões de euros de ajuda à Ucrânia

EUA advertem Rússia e anunciam mil milhões de euros de ajuda à Ucrânia

Os Estados Unidos advertiram, esta quarta-feira, a Rússia contra qualquer tentativa de intervir militarmente na Ucrânia e anunciaram um pacote de ajuda financeira do Banco Mundial e do FMI no valor de mil milhões de euros.

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, insistiu que Washington não procura uma confrontação com Moscovo apesar da aproximação política com as autoridades de Kiev.

"Muitas pessoas olham para isto ainda num contexto da Guerra Fria, de lutas antigas. Quero dizer a toda a gente que não se trata do "Rocky 4"", disse John Kerry, com alguma ironia, a um pequeno grupo de jornalistas.

O responsável da administração norte-americana assegurou que a única intenção é que "o povo ucraniano possa fazer a sua escolha", a qual deve ser respeitada por todos.

John Kerry sublinhou que a prioridade da nova liderança em Kiev, que afastou o presidente Viktor Yanukovych, é formar um novo governo, que terá inicialmente uma ajuda financeira de mil milhões de euros.

Também a União Europeia está a ponderar um empréstimo de 1,5 mil milhões de euros à antiga república soviética, adiantou Kerry.

Entretanto, responsáveis diplomáticos norte-americanas fizeram já saber que qualquer tipo de intervenção militar naquele país será uma violação da soberania e da integridade territorial da Ucrânia e que isso seria um "grave erro".

Os mesmos responsáveis mostraram-se contudo relutantes em dizer o que fariam caso houvesse uma intervenção militar na Ucrânia e que passos seriam dados ao nível das Nações Unidas.

O ministro da defesa russo, Sergei Soigu, afirmou hoje, em Moscovo, que estão a ser tomadas medidas para garantir a segurança da frota naval russa estacionada na base naval da Crimeia, no sul da Ucrânia.

Sevastopol, que acolhe a frota do Mar Negro desde o tempo dos czares, assistiu, nos últimos dias, a várias manifestações pró-russas junto do Município local.

John Kerry lembrou que para um país como a Rússia, que, no passado, tanto se opôs a qualquer tipo de intervenção militar na Líbia e na Síria, deve ouvir os avisos e respeitar a soberania e a independência da Ucrânia.

Além da ajuda financeira de mil milhões de euros, através do Banco Mundial e da Fundo Monetário Internacional (FMI), Washington está também a ponderar prestar auxílio direto a Kiev, mas a decisão final e a alcance da mesma caberá ao presidente norte-americano.

John Kerry considerou que, agora, a principal prioridade vai para a formação do novo governo e que a segunda prioridade vai para as reformas, incluindo das instituições.

Entretanto, o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, apelou a que "atores externos" ponham fim às "ações e à retórica provocativa", numa aparente alusão à Rússia.

Lembrou ainda que, ao abrigo de legislação internacional, a Organização de Segurança e Cooperação Europeia tem a obrigação de assegurar a segurança e paz na região.

"É importante que todas as partes envolvidas na região, incluindo o governo ucraniano e também os russos, entendam que é fundamental para eles respeitarem as suas obrigações".