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EUA agiram na Líbia porque sentiram os seus "interesses e valores ameaçados"

EUA agiram na Líbia porque sentiram os seus "interesses e valores ameaçados"

Os Estados Unidos devem agir quando "os seus interesses e os seus valores" são ameaçados, explicou o presidente Barack Obama para justificar a intervenção norte-americana na Líbia. NATO assume, quarta-feira, o comando militar das operações, adiantou, ainda, Obama, num discurso na Universidade de Defesa nacional, em Washington.

Apesar da justificação para a intervenção na Líbia pela defesa "dos interesses e valores dos EUA", o presidente norte-americano mostrou-se "consciente" dos "riscos e dos custos" colocados pela operação.

"Conscientes dos riscos e dos custos de uma acção militar, estamos naturalmente reticentes face ao uso da força para resolver os problemas mundiais. Mas quando os nossos interesses e os nossos valores são ameaçados, temos a responsabilidade de agir", disse.

"Foi o que aconteceu na Líbia", acrescentou, durante uma alocução televisiva na Universidade de Defesa Nacional em Washington, sublinhando que "há gerações que os Estados Unidos desempenham um papel único na segurança mundial e na defesa da liberdade".

Evitar os erros da Guerra do Iraque

Os Estados Unidos "não podem dar-se ao luxo" de repetir os erros da guerra no Iraque, tentando derrubar militarmente o dirigente líbio Muammar Kadafi. "Se tentarmos derrubar Kadafi pela força, a nossa coligação vai desfazer-se em pedaços", afirmou o presidente norte-americano, num discurso desde a Universidade de Defesa Nacional em Washington.

Ainda assim, segundo o chefe de Estado, os EUA "devem provavelmente enviar tropas norte-americanas para o terreno".

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"Os perigos corridos pelos nossos homens e mulheres em uniforme seriam bem grandes. Bem como os custos e a parte da nossa responsabilidade pelo que aconteceria depois" na Líbia, prosseguiu Barack Obama.

"Seguimos esse caminho no Iraque (...) mas a mudança de regime durou oito anos, custou milhares de vidas norte-americanas e iraquianas e perto de mil milhões de dólares. Não podemos permitir que isso volte a acontecer na Líbia", disse, ainda, o presidente norte-americano.

Uma transição democrática na Líbia será uma "tarefa difícil" e responsabilidade caberá principalmente ao "povo líbio", sublinhou Obama. "A transição que vai conduzir a um Governo legítimo que responda às expectativas do povo líbio será uma tarefa difícil", explicou Barack Obama.

"Mesmo que os Estados Unidos assumam a sua parte da responsabilidade para garantir a sua ajuda, é uma tarefa que cabe à comunidade internacional e sobretudo ao povo líbio", disse.

"Mesmo depois da partida de Kadafi, quarenta anos de tirania terão deixado a Líbia fracturada e sem instituições civis fortes", acrescentou.

NATO assume comando

A NATO assumirá quarta-feira os comandos do conjunto das operações militares da coligação internacional na Líbia, adiantou, ainda, o presidente dos EUA. "A nossa aliança mais eficaz, a NATO, assumiu a responsabilidade da aplicação do embargo sobre as armas e a zona de exclusão aérea" na Líbia, relembrou o presidente norte-americano.

"Na última noite, a NATO decidiu assumir uma responsabilidade suplementar, a de proteger os civis líbios. Esta transferência dos Estados Unidos para a NATO terá lugar quarta-feira", disse.

"Com o tempo, a direcção da aplicação da zona de exclusão aérea e da protecção dos civis sobre o terreno será transmitida aos nossos aliados e parceiros e tenho inteira confiança na capacidade da nossa coligação em manter a pressão sobre o que resta das forças de Kadafi", concluiu.

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