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Afeganistão

EUA cancelam reuniões com talibãs por manterem escolas interditas a raparigas

EUA cancelam reuniões com talibãs por manterem escolas interditas a raparigas

Os EUA anunciaram o cancelamento das reuniões com os talibãs, em Doha (Qatar), depois de os fundamentalistas islâmicos terem decidido manter a interdição do acesso de raparigas afegãs ao ensino secundário.

"Cancelámos alguns dos nossos compromissos, incluindo reuniões em Doha no âmbito do Fórum de Doha, e deixamos claro que vemos essa decisão como um potencial ponto de viragem no nosso engajamento [político]", disse um porta-voz do Departamento de Estado norte-americano.

O Fórum de Doha acontece entre sábado e domingo na capital do Catar.

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"Esta decisão dos talibãs, se não for rapidamente revertida, vai prejudicar profundamente o povo afegão, as perspetivas de crescimento económico do país e a sua ambição de melhorar as suas relações com a comunidade internacional", indicou.

"No interesse do futuro do Afeganistão e das relações entre os talibãs e a comunidade internacional, instamos os talibãs a honrar os seus compromissos com o seu povo", prosseguiu o porta-voz.

Os Estados Unidos estão "com as meninas afegãs e as suas famílias, que veem a educação como um meio para realizar todo o potencial das sociedade e economia afegãs", acrescentou.

Os talibãs vão manter a interdição do acesso de raparigas ao ensino secundário, apesar da promessa do regime afegão de que as escolas voltariam a permitir, a partir da passada quarta-feira, o regresso das adolescentes às aulas.

"As escolas para as raparigas adolescentes entre o 7.º e 12.º anos (dos 12 aos 18 anos de idade) continuam fechadas", afirmou à agência de notícias EFE o porta-voz adjunto do Governo dos talibãs, Inamullag Samangani, no mesmo dia em que as escolas reabrem após as férias de Inverno.

Dezenas de milhares de raparigas deviam regressar ao ensino secundário, mais de sete meses depois do regime talibã ter subido ao poder e restringido os direitos das mulheres à educação e ao trabalho.

O Ministério da Educação afegão tinha anunciado o reinício das aulas para raparigas em várias províncias, incluindo em Cabul.

Na quinta-feira, seis países ocidentais, incluindo os Estados Unidos, e a União Europeia exortaram os Talibãs a "inverter urgentemente" a decisão de proibir as raparigas afegãs de frequentar a escola depois do 5.º ano de escolaridade.

França, Itália, Noruega, Estados Unidos, Canadá e Grã-Bretanha, assim como o Alto Representante da UE, advertiram, na quinta-feira, que a mudança anunciada esta semana teria "consequências muito para além dos danos às raparigas afegãs", podendo prejudicar a ambição do Afeganistão de se "tornar um membro respeitado da comunidade das nações".

"Isto irá inevitavelmente afetar as hipóteses dos Talibãs de ganharem apoio político e legitimidade, tanto a nível interno como externo", defenderam os países numa nota conjunta citada pela agência de notícias France Presse (AFP).

O secretário-geral da ONU, António Guterres, lamentou quarta-feira profundamente o anúncio do Governo afegão de suspensão das aulas para raparigas a partir do sexto ano, até nova ordem.

Guterres manifestou "profundo desapontamento" com a decisão do Governo afegão e considerou que provoca "danos profundos" ao Afeganistão.

"A recusa da educação não só viola a igualdade de direitos das mulheres e crianças no acesso à educação, também compromete o futuro do país", afirmou o secretário-geral das Nações Unidas numa declaração hoje divulgada.

"Insto as autoridades talibãs a abrirem as escolas para todos os alunos, sem mais demoras", acrescentou.

A ONU havia já expressado "deceção e profunda frustração" por as autoridades afegãs terem proibido as meninas de voltar às escolas do ensino secundário, apesar de os talibãs se terem comprometido a deixar as raparigas estudarem.

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