Afeganistão

Número de militares dos EUA mortos nos ataques sobe para 13

Número de militares dos EUA mortos nos ataques sobe para 13

Um ataque suicida matou, na quinta-feira, pelo menos 28 pessoas, entre as quais 13 militares americanos, nas imediações do aeroporto de Cabul, no Afeganistão. EUA garantem que operação de retirada vai continuar.

Poucas horas depois do aviso de ameaça terrorista emitido pelos EUA, Reino Unido e Austrália, duas explosões junto ao aeroporto de Cabul fizeram, pelo menos, 27 mortos, confirmou o Pentágono. Ainda assim, de acordo com as últimas informações da BBC, o número deverá ser bastante superior, chegando aos 60. O ataque já foi reivindicado pelo Estado Islâmico.

Os EUA confirmaram, na noite desta quinta-feira, que o atentado matou 13 militares americanos, ferindo outros 18. "Um décimo terceiro soldado dos EUA morreu de ferimentos sofridos no ataque" nas imediações do aeroporto, anunciou o porta-voz do Comando Central dos Estados Unidos, o major Bill Urban, citado pela agência France Presse. "O número de feridos é agora 18", acrescentou, o que representa uma atualização face aos 12 óbitos e 15 feridos anteriormente registados.

Num comunicado partilhado no Twitter pelo porta-voz do Departamento de Defesa norte-americano, John Kirby, o Pentágono descreve o ataque como "hediondo", endereçando condolências às famílias dos militares mortos em serviço. Embora não haja confirmação oficial, há relatos de uma terceira explosão, horas depois do duplo atentado junto ao aeroporto.

O presidente dos EUA, Joe Biden, prometeu "caçar e fazer pagar" os autores do duplo atentado bombista e do ataque armado, atribuído ao grupo extremista Estado Islâmico.

PUB

"Não esqueceremos, não perdoaremos e vamos caçar-vos e fazer-vos pagar", disse Joe Biden, depois de um momento emocionado em que relembrou a morte do filho, ele próprio um antigo combatente militar.

A ONG italiana Emergency avançou, também no Twitter, que cerca de "60 pessoas feridas no ataque ao aeroporto" chegaram ao seu hospital, na capital afegã.

Os dois ataques foram causados por bombistas suicida. A imprensa internacional dá ainda conta de que ocorreram minutos depois de os talibãs terem disparado contra um avião italiano que descolava de Cabul. Um dos portões de entrada do aeroporto (Abbey) foi atingido pela explosão. Trata-se de um dos portões que foram fechados após os avisos de ameaça terrorista.

Inicialmente foi avançada apenas uma explosão, mas o Ministério da Defesa da Turquia explicou que foram registadas duas, informação entretanto confirmada pelo Pentágono. A segunda ocorreu junto ao Baron Hotel, perto do portão Abbey.

Segundo o comandante central das Forças Armadas dos EUA, general McKenzie, "os ataques do ISIS vão continuar".

O Ministério da Defesa confirmou que os quatro militares portugueses em Cabul estão bem.

Em declarações à RTP na quarta-feira, o ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, adiantou que os quatro militares estão a trabalhar "dentro do aeroporto", por não existirem condições para saírem do local, tendo como missão "ajudar" os indivíduos que constam nas listas prioritárias a "entrar dentro do aeroporto e a passar para os aviões".

"É uma missão de risco, com certeza que é, porque toda a situação é uma situação extremamente delicada e difícil. Os nossos militares estão preparados e treinados para isso, com todas as qualidades necessárias para desempenhar bem a sua missão", afirmou Gomes Cravinho na altura.

Terceira explosão deveu-se à destruição de material por militares EUA

Uma terceira explosão ouvida em Cabul, perto da meia-noite de quinta-feira (hora local) não correspondeu a qualquer ataque, mas à destruição de material pelos militares dos EUA no aeroporto, disse o porta-voz dos talibã.

A terceira explosão na capital afegã foi ouvida por muitos cidadãos e jornalistas locais, que logo partilharam nas redes sociais, e ocorreu poucas horas depois do duplo ataque bombista no aeroporto internacional de Cabul, não havendo pormenores sobre a magnitude da última explosão.

O porta-voz dos talibã, Zabihullah Mujahid, indicou pouco depois, na rede social Twitter, que esta explosão não era devida a qualquer ataque, mas à destruição de equipamentos pelo exército norte-americano no aeroporto, o que este não confirmou de imediato.

Talibãs "condenam veemente" o atentado

Numa publicação no Twitter, o porta-voz dos talibãs, Zabihullah Mujahid, garantiu que o grupo "condena veementemente" o ataque no aeroporto de Cabul, "cuja segurança está nas mãos das forças americanas".

Mujahid frisou ainda que o Emirado Islâmico está a prestar "muita atenção à segurança e proteção do seu povo".

As primeiras fotografias após o atentado foram partilhadas nas redes sociais pelo jornalista Barzan Sadiq, que avançou logo que havia militares americanos entre as vítimas.

Um intérprete afegão que trabalhou com as forças americanas testemunhou o caos causado pelas explosões junto ao aeroporto. Num cenário repleto de pessoas feridas, deitadas no chão, "Carl", nome utilizado pela CBS News, viu uma menina de cinco anos ferida, pegou nela ao colo e tentou salvá-la.

"Levei-a para o hospital mas morreu-me nos braços", lamentou. "Isto é de partir o coração. O que está a acontecer é de partir o coração, este país inteiro desintegrou-se", afirmou.

Esta quarta-feira à noite, EUA, Reino Unido e Austrália apelaram aos cidadãos para saírem do aeroporto de Cabul devido a "ameaças terroristas", quando milhares de pessoas continuam a tentar fugir do país.

Os três países emitiram avisos simultâneos. As pessoas que se encontram no aeroporto sobretudo "nas entradas leste e norte devem sair imediatamente", disse o Departamento de Estado norte-americano, citando "ameaças à segurança". A diplomacia australiana alertou para uma "ameaça muito elevada de ataque terrorista", enquanto Londres emitiu um aviso semelhante.

"Se estiver na área do aeroporto, deixe-o para um lugar seguro e aguarde instruções adicionais. Se for capaz de sair do Afeganistão em segurança por outros meios, faça-o imediatamente", indicou o Governo britânico.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG