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EUA e NATO ofereceram acordos de desarmamento à Rússia

EUA e NATO ofereceram acordos de desarmamento à Rússia

Washington e a Aliança Atlântica enviaram, na semana passada, propostas a Moscovo nas quais se mostraram abertos ao diálogo, divulga o jornal espanhol "El País".

Os Estados Unidos e a NATO ofereceram à Rússia a negociação de acordos de desarmamento e "medidas de confiança", mediante a condição de Moscovo reduzir a ameaça militar à Ucrânia. A proposta consta nos dois documentos confidenciais enviados na semana passada por Washington e pela Aliança Atlântica ao Kremlin, aos quais o jornal espanhol "El País" teve acesso.

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Em ambas as cartas, enviadas numa resposta escrita às exigências securitárias de Moscovo, Washington e a Aliança Atlântica negam-se a assinar um tratado de segurança bilateral com a Rússia e recusam fechar a NATO à entrada da Ucrânia, tal como vem sendo reiteradamente defendido pela Administração norte-americana.

Revelações feitas no mesmo dia em que os EUA anunciaram o envio de milhares de soldados para reforçar as forças da NATO na Europa Oriental, aumentando resposta militar na região. O porta-voz do Pentágono, John Kirby, disse que mil soldados americanos na Alemanha serão enviados para a Roménia e que outros dois mil, baseados nos Estados Unidos, serão enviados para a Alemanha e a para a Polónia.

Apoio total à "política de portas abertas"
O documento de Washington, conta o "El País", deixa claro o apoio à "política de portas abertas da NATO" e o direito dos estados de escolher acordos "livres de interferência". Biden oferece a Vladimir Putin "medidas de transparência condicional e compromissos recíprocos". Os EUA dizem estar abertos a discutir as diferentes "interpretações" do conceito de "indivisibilidade da segurança" a que Moscovo apela para pedir garantias de que a Ucrânia não irá aderir à NATO.

As duas das principais exigências de Moscovo para acabar com a crise na Ucrânia foram, assim, recusadas, num momento de tensão crescente entre a Rússia e o Ocidente. Washington e a Aliança Atlântica oferecem, antes, a Putin a negociação de acordos de desarmamento e medidas de construção de confiança em diferentes fóruns.

"Considerando o destacamento militar substancial, unilateral e injustificado em curso na Ucrânia e na Bielorrússia, instamos a Rússia a reduzir imediatamente a situação de forma verificável, oportuna e duradoura", escreve a NATO. "A posição do Governo dos Estados Unidos é que o progresso só poderá ser alcançado num ambiente de diminuição de ações ameaçadoras da Rússia em relação à Ucrânia", adverte Washington.

Envio de rascunho de possível tratado
As autoridades russas exigiram resposta por escrito à proposta de Moscovo de assinar um tratado que daria garantias de segurança à Rússia face à expansão da NATO para leste. O Kremlin apresentou inclusive o rascunho de um tratado hipotético.

Os dois textos consultados pelo jornal espanhol foram a resposta ao repto russo. O de Washington intitula-se "Confidencial/Rel Russia" e é composto por uma introdução, sete pontos e breves conclusões. Com o título "NATO-Rússia Restrito", o documento com 12 secções, enviado pela Aliança Atlântica.

Moscovo ainda não enviou uma resposta por escrito, mas fontes aliadas apontam que a Rússia pediu aos Estados Unidos e à NATO para unificarem as respostas e que a Aliança Atlântica concordou em discutir o conceito de "indivisibilidade da segurança", tal como proposto pelos EUA.

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, e o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, tiveram primeiro contacto telefónico desde que foram enviadas as respostas a Moscovo, esta terça-feira. Blinken, de acordo com um porta-voz do departamento de Estado, transmitiu a Lavrov a disposição de continuar com uma troca "substantiva" de propostas sobre segurança, enquanto o homólogo russo disse que ambos concordaram em continuar o diálogo. "Vamos ver como vai ser", disse, à televisão russa.

Em relação à Ucrânia, o Governo Biden oferece a Putin "medidas de transparência condicional e compromissos recíprocos", ao abrigo das quais a Rússia e os Estados Unidos se absterão de "implantar sistemas de mísseis ofensivos terrestres e forças de combate permanentes no território da Ucrânia". É nesse sentido que Washington anuncia intenção de realizar negociações com Kiev.

Os Estados Unidos declaram-se dispostos a enfrentar o processo "de boa-fé", ao mesmo tempo que censuram Putin por ter destacado mais de 100 mil soldados na fronteira da Ucrânia, ocupado a Crimeia e alimentado o conflito em Donbas.

Segundo Washington, no projeto de tratado sobre segurança na Europa, "a Rússia faz exigências que minam os princípios com os quais se comprometeu em documentos anteriores".

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