armas químicas

EUA e Rússia vão agendar data para conferência de paz sobre a Síria

EUA e Rússia vão agendar data para conferência de paz sobre a Síria

O secretário de Estado norte-americano anunciou, esta sexta-feira, que se vai reunir novamente com o homólogo russo, no final do mês, em Nova Iorque, para tentar marcar uma data para a conferência de paz sobre a Síria.

"Concordámos num novo encontro em Nova Iorque, à margem da assembleia-geral da ONU, para tentar então marcar uma data para a conferência", disse John Kerry aos jornalistas, durante um encontro com a imprensa em Genebra, com Serguei Lavrov e o enviado da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Lakhdar Brahimi.

Brahimi é o responsável pela organização da conferência internacional "Genebra II", que tenta encontrar uma solução política para o conflito sírio. Esta missão está num impasse há meses por falta de consenso internacional.

A última reunião tripartida com diplomatas russos e norte-americanos decorreu em junho, em Genebra, e terminou sem qualquer resultado concreto. Lakhdar Brahimi reuniu-se na quinta-feira com John Kerry.

O secretário de Estado norte-americano e o homólogo russo estão em Genebra para tentar um acordo sobre os meios para tornar seguro, e posteriormente eliminar, o arsenal de armas químicas da Síria. "Concordámos ter mantido conversações construtivas" na quinta-feira, sublinhou Kerry.

Depois da reunião com Brahimi, na sede da ONU em Genebra, Kerry e Lavrov juntaram-se às respetivas delegações de peritos e diplomatas, ainda em negociações.

"Ambos estamos muito preocupados com a crescente espiral de destruição na Síria. As duas partes (beligerantes) estão a causar cada vez mais refugiados e uma maior catástrofe humanitária", lamentou.

"Estamos determinados a trabalhar em conjunto, a começar pela iniciativa sobre as armas químicas, com a esperança de que os nossos esforços resultem e tragam paz e estabilidade a esta região atormentada do mundo", afirmou Kerry.

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo sublinhou o compromisso de Moscovo relativamente à realização desta conferência de paz e apelou, uma vez mais, a "todos os grupos da sociedade síria para que estejam representados" no encontro.

"As partes sírias devem chegar a um consentimento mútuo sobre o órgão de governo de transição, que vai deter toda a autoridade", lembrou.

"Veremos, em Nova Iorque, em que ponto estamos, o que as partes sírias pensam e fazem sobre esta questão", declarou.

Também em Genebra, a comissão de investigação da ONU sobre a guerra civil na Síria denunciou, esta sexta-feira, num relatório, que o governo de Bashar al-Assad impede, de forma sistemática e como política de Estado, o atendimento de feridos oriundos de zonas controladas pela oposição, ou próximas delas, através de ataques contra unidades médicas, hospitais e pessoal médico.

Esta comissão divulgou, na quarta-feira, o último relatório completo sobre a situação na Síria, no qual acusa as forças governamentais e a oposição armada de crimes de guerra.

De acordo com as Nações Unidas, o conflito na Síria - em que a contestação popular ao regime degenerou em guerra civil - fez mais de 100 mil mortos desde 2011 e perto de dois milhões de refugiados, que têm sido acolhidos sobretudo na Jordânia, Turquia e Líbano.